Preço de voos poderá agravar-se em Moçambique devido à escalada de guerra no Médio Oriente

O custo do transporte aéreo em Moçambique poderá registar aumento nos próximos tempos, na sequência da forte subida do preço do combustível de aviação (JET) no mercado internacional. O alerta foi avançado pela directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Nhate, durante uma conferência de imprensa realizada em Maputo, na presença de importadores e distribuidores do sector.

Segundo a responsável, o combustível JET registou uma das maiores variações recentes, passando de cerca de 769 dólares por tonelada para 1595 dólares, evidenciando elevada volatilidade. Este cenário poderá repercutir-se directamente nos custos operacionais das companhias aéreas e, consequentemente, nas tarifas praticadas aos passageiros.

Segundo a fonte citada pela AIM, o agravamento dos preços está associado, em grande medida, à instabilidade geopolítica no Médio Oriente, uma das principais regiões fornecedoras de combustíveis. “O agravamento no contexto político do Médio Oriente teve um impacto directo não apenas no preço do produto em si, mas também nos custos de frete”, afirmou Felisbela Nhate.

De acordo com a dirigente, o custo de transporte do barril também registou um aumento significativo, passando de cerca de 5 dólares, em Janeiro, para aproximadamente 13,70 dólares, o que influencia directamente o preço CIF Maputo base da factura de importação dos combustíveis.

“O custo de frete entra na equação do cálculo do CIF, que é aquele preço que reflecte na nossa factura de importação”, explicou a fonte, acrescentando que o aumento global dos custos está a pressionar todo o sistema de abastecimento energético.

O combustível JET desempenha um papel essencial no sector da aviação, sendo utilizado em aeronaves comerciais e de carga, e a sua estrutura de preço depende de vários factores, incluindo o custo internacional do petróleo refinado, despesas de transporte e logística, taxas cambiais, custos de armazenamento, margens dos operadores e encargos fiscais.

Em Moçambique, o mecanismo de formação de preços dos combustíveis é regulado por um quadro legal específico, visando assegurar transparência e equilíbrio no mercado, sendo a Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) a entidade responsável pela definição e actualização dos preços.

Face ao actual contexto, Felisbela Nhate admitiu a possibilidade de intervenção regulatória. “Temos pressão sobre o nosso mecanismo de formação de preços e alguma necessidade de intervenção do Governo para a mitigação dos impactos”, referiu.

A directora alertou ainda para os riscos associados ao aumento da factura de importação, incluindo a redução da liquidez das empresas distribuidoras, restrições no acesso ao financiamento bancário e possíveis desafios no abastecimento regular de combustíveis ao País.

No plano regional, vários países da África Austral já procederam a ajustamentos nos preços dos combustíveis, reflectindo o impacto generalizado da crise internacional. “Praticamente todos os países da região tiveram que fazer ajustamentos de preços”, observou.

Perante este cenário, as autoridades moçambicanas asseguram estar a avaliar medidas para atenuar os efeitos económicos, sem comprometer a estabilidade do sector.

 

(Foto DR)

Deixe um comentário