Moçambique reduz o “fosso” da dívida externa em 7,5% mas a insustentabilidade mantém-se

Moçambique reduz o “fosso” da dívida externa em 7,5% mas a insustentabilidade mantém-se

O Governo anunciou, esta quinta-feira (30), a redução de 7,5% da dívida externa no primeiro trimestre do ano, em resultado de uma gestão activa da carteira, do pagamento regular do serviço da dívida e da reclassificação contabilística de um adiantamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI), efectuado pelo Banco de Moçambique, sem impacto no stock global da dívida pública facto que não altera o seu nível de insustentabilidade.

Na sequência deste cenário, parte da dívida externa passou a ser registada como dívida interna, alterando apenas a composição da carteira. Ainda assim, o stock total da dívida pública fixou-se em quase 1,1 mil milhões de meticais, o que representa um crescimento de 1% em relação ao final de 2025.

De acordo com um comunicado do Ministério das Finanças, no final de 2025, a dívida pública correspondia 72,2% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 71,8% registados em 2024, evidenciando uma evolução moderada do endividamento.

A estrutura da dívida mantém-se predominantemente externa (56%), enquanto a componente interna representa 44%, sendo a carteira externa composta maioritariamente por financiamentos multilaterais em condições concessionais.

O Executivo assegura que continua a implementar medidas estruturantes para conter o crescimento da dívida e reforçar a sua sustentabilidade, com destaque para a mobilização de financiamento externo em condições favoráveis, o aumento das receitas internas, a disciplina na despesa pública e a gestão activa da carteira, incluindo operações de troca, reperfilamento e conversão da dívida em investimento.

Recorde-se que o Banco de Moçambique (BdM) voltou alertar que o elevado volume do endividamento público e de atrasos no pagamento do serviço da dívida, continua a afectar o funcionamento do mercado financeiro.

“O endividamento público e os atrasados da dívida interna e externa mantêm-se elevados, afectando o normal funcionamento do mercado financeiro”, lê-se no comunicado divulgado após a reunião de terça-feira do Comité de Política Monetária (CPMO) do BdM.

No documento, o CPMO retoma alertas consecutivos, apontando que a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, já ascendem a 538,3 mil milhões de meticais, representando mais 63,7 mil milhões de meticais face a Dezembro de 2025.

“Persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo com as instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos, na rigidez das respectivas taxas de juro, bem como na avaliação do risco-país”, refere o comunicado final do CPMO.

 

(Foto DR)

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