O activista social Adriano Nuvunga considera o aumento de benefícios para os ex-Presidentes da República, “uma afronta”, num país onde grande parte da população enfrenta dificuldades económicas.
Através de uma carta pública datada de 12 de Abril, reagindo o reforço das mordomias destinadas aos antigos Presidentes, nomeadamente Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi aos ex-presidentes da República, o activista social manifestou-se contra o aumento de benefícios a si atribuídos, num contexto de crise económica no País.
Segundo Nuvunga, “a dignidade de um antigo Chefe de Estado não depende de privilégios materiais, mas sim do legado deixado durante o exercício do poder”. No texto, o activista afirma que a sociedade moçambicana reage “com indignação e revolta” ao anúncio de despesas que ultrapassam 15 milhões de meticais mensais, incluindo a aquisição de várias viaturas para cada antigo presidente.
No documento, Nuvunga associa a actual crise económica e social do País a decisões tomadas durante mandatos presidenciais anteriores, destaca, em particular, o impacto das chamadas “dívidas ocultas”, relacionadas com o consulado de Guebuza. A fonte aponta o agravamento da situação durante o mandato de Nyusi, referindo “problemas como corrupção sistémica, violência política e alegadas ligações ao narcotráfico”.
Apesar de reconhecer a existência de uma base legal para os benefícios, o activista questiona a sua legitimidade moral e política, classificando a medida como injusta.
O activista apela, por isso, à responsabilidade histórica dos antigos estadistas, defendendo que a recusa voluntária dessas regalias seria um gesto de solidariedade para com o povo moçambicano.
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