Moçambique liquidou, em Março de 2026, a totalidade da sua dívida junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), num montante estimado em 698 milhões de dólares norte-americanos. A informação foi divulgada pelo economista Roberto Júlio Tibana, que questiona a racionalidade da decisão.
De acordo com os dados apresentados no documento que tivemos acesso, o país passou de um saldo de 698 milhões de dólares, registado até finais de Fevereiro, para zero no final de Março, após o reembolso integral no espaço de um mês.
Segundo a análise de Tibana, a maioria dos países, especialmente os de baixo rendimento, mantém dívida com o FMI, beneficiando de condições consideradas mais favoráveis do que as praticadas nos mercados financeiros internacionais. Para Moçambique, estas dívidas apresentam, em regra, taxas de juro reduzidas.
O economista sublinha que o país não estava obrigado a liquidar antecipadamente o valor total. O calendário normal de pagamentos previa desembolsos ao longo dos próximos anos, num total superior a 4,5 mil milhões de dólares, incluindo cerca de 56 milhões em juros.
No plano interno, Tibana aponta fragilidades estruturais que levantam questões sobre a prioridade atribuída a esta decisão. Entre os exemplos citados estão:
- Hospitais com falta de medicamentos
- Escolas sem condições básicas
- Atrasos no pagamento de salários
- Dívidas do Estado a fornecedores
- Degradação de infra-estruturas públicas
O economista alerta ainda para o impacto destas dificuldades no sector empresarial, com empresas pressionadas por falta de pagamentos e aumento do desemprego.
Face a este cenário, o analista levanta várias questões que considera essenciais para o debate público:
- Qual foi a origem dos fundos utilizados para liquidar a dívida?
- Que papel teve a Assembleia da República na decisão?
- Como se enquadra esta operação no Orçamento do Estado de 2026?
- Qual a justificação estratégica do Governo para esta medida?
A decisão de liquidar a dívida ao FMI surge, assim, como um tema central no debate económico nacional, com implicações directas na gestão das finanças públicas e nas prioridades de desenvolvimento do país.
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