Inundaçõesː Escola Básica erguida pela fundação Tzu Chi alberga mais de mil pessoas em Sofala

Parte da Escola Básica de Muda Mufo, entre as instituições de ensino erguidas pela Fundação de Caridade Tzu Chi em Sofala no âmbito do apoio à reconstrução pós-ciclone, abrigou, nos últimos dias, 1.394 pessoas afectadas pela nova vaga de inundações no distrito de Nhamatanda.

Trata-se de pessoas proveniente dos bairros de Magoe, Madangwa, Makuiu (A-B) e Massequessa, entre os pontos mais atingidos pela nova vaga de inundações no distrito, entre 18 e 20 de Março, afectando um total de 4.226 famílias, segundo estatísticas oficiais.

“A concepção das infraestruturas erguidas pela Tzu Chi em Sofala tem também esta função: albergar as famílias das comunidades nos arredores em momentos de emergência.

Podemos garantir que, pelo menos, na Escola Básica de Muda Mufo, aquelas famílias estão seguras. Embora, da parte da Tzu Chi, escola tenha sido já entregue às autoridades competentes, estamos obviamente preocupados com o novo drama que estas famílias enfrentam e vamos continuar a acompanhar a situação a partir das equipas do Governo que estão a liderar a assistência”, declarou Dino Foi, Presidente da Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique. em reação às inundações em Nhamatanda.

Localizada no Posto Administrativo de Tica, a Escola Básica de Muda Mufo, orçada em 2,4 milhões de dólares, foi inaugurada no ano passado e faz parte das 23 escolas, 17 das quais já concluídas e entregues às autoridades, erguidas pela Tzu Chi em Sofala, no âmbito do apoio à reconstrução pósciclone Idai, um projecto que incluía também a construção de três mil habitações para as comunidades afectadas – também já concluídas e entregues.

As infraestruturas foram construídas no sistema `Build Back Better ´ , capazes de resistir a ciclones do tipo 4, de ventos de cerca 250 quilómetros por hora, numa região moçambicana ciclicamente afectada por ciclones.

Embora algumas salas do novo edifício da Escola Básica de Muda Mufo estejam a ser usadas para assistência médica e armazenamento de alimentos das comunidades afectadas, as aulas naquela instituição de ensino não foram interrompidas, já que as famílias afectadas foram maioritariamente acolhidas nas salas da antiga infraestrutura, área agora de anexo ao edifício principal.

“As nossas machambas foram inundadas duas vezes em pouco tempo, em Dezembro e neste mês. Então um dos nossos principais problemas agora é a fome. Temos estado a receber apoio do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres e a nossa principal necessidade é um projecto que nos possa apoiar com sementes”, declarou o chefe do Posto Administrativo de Tica, Noé Botão.

Em Nhamatanda, após as chuvas de Dezembro, que afectaram 11.424 famílias, nos últimos dias, a comunidades voltaram a ser vítimas de uma nova vaga de inundações, sobretudo nas localidades de Metuchira, Lamego, Siluvo, Vila Municipal, Chirassicua, Nhampoca e Bebedo, devido a subida dos caudais dos rios Púngué, Metuchira, Muda, Mecuzi, Mbimbir, Macorococho, Harumua e Mecombezi.

No total, segundo dados do Governo provincial, mais de 750 hectares de culturas diversas foram perdidas em Nhamatanda, dois centros de saúde e 1.498 casas afectados, com registo também de algumas vias de acesso interrompidas.

Os últimos dados gerais do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastre Naturais (INGD) indicam que a época chuvosa que começou em Outubro em Moçambique afectou mais de uma milhão de pessoas, havendo um total de 267.438 hectares de áreas agrícolas perdidas.

Fundada no país em 2012, a Tzu Chi tem reforçado a sua actuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projectos ligados aos sectores de educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo na região Centro.

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