FUNDEC sugere construção “urgente” de refinarias para travar a crise de combustíveis

A Fundação para a Competitividade Empresarial – FUNDEC sugere ao Governo a acelerar a materialização da construção de refinarias no País, numa altura em que se assiste uma escassez de combustíveis quase em todo o território nacional devido à escala de conflitos no Médio Oriente.

A informação foi avançada esta quinta-feira (04), em Maputo, durante a apresentação de um relatório técnico sobre “Mercado de Combustíveis, Escassez de Divisas, Sistema Bancário e Impactos Macroeconómicos em Moçambique (2019 – Maio de 2026)”, desenvolvido pela FUNDEC.

Na ocasião, o economista-chefe da FUNDEC, Clésio Foia, explicou que a construção de refinarias pode ajudar o País a melhorar a gestão dos combustíveis. Além da componente de melhor gestão, Foia referiu que a iniciativa poderá servir de oportunidade para o País começar a apostar nos seus recursos energéticos, sobretudo combustíveis fósseis.

“Temos gás em Moçambique e temos de flexibilizar gás como a nossa matriz energética. Estamos cientes de que o investimento para aquilo que tem que ver com o equipamento, investimento que tem que ver com a estrutura produtiva, é substancialmente elevado, mas é preciso começarmos a desenhar paradigmas para utilizarmos os nossos próprios recursos”, explicou o economista-chefe da FUNDEC.

Recorde-se que o Governo já havia adiantado, na semana passada, a pretensão da construção de refinarias de combustíveis para colmatar os altos preços no mercado internacional e melhorar a sua disponibilidade no País.
Durante a apresentação do estudo técnico, Clésio Foia, advertiu sobre o risco de agravamento da escassez de divisas em Moçambique, o que poderá igualmente concorrer para o aumento da pressão inflacionária. Para o efeito, o estudo da FUNDEC propõe a criação de uma linha estratégica cambial e um fundo nacional de garantia de importações estratégicas para travar a crise de divisas que complicam a importação de combustíveis.

“Sugerimos a criação de linhas estratégicas cambiais para poder fazer suporte às operações dos produtos estratégicos, designadamente combustíveis. Hoje, falamos de combustíveis, mas, amanhã, podemos falar de medicamentos, podemos não ter divisas para importar medicamentos, podemos não ter divisas para importar cereais”, destacou, sublinhando que estes instrumentos deverão ser usados para importar produtos considerados estratégicos na economia.

“Recomendamos a criação de um fundo de garantia nacional para importações estratégicas, para, em caso de alguma escassez ou algum risco de escassez pontual, poder-se fazer a cobertura”, esclareceu Foia.

No estudo, a FUNDEC explica que a escassez de divisas em Moçambique não surgiu de forma repentina em 2025 ou 2026. “Trata-se de um problema estrutural cuja génese moderna remonta principalmente ao período posterior à crise das dívidas ocultas em 2016. A partir desse momento, a economia moçambicana entrou num processo gradual de deterioração da confiança internacional, redução de fluxos financeiros externos e fragilização cambial”.

O relatório destaca ainda que a subida dos preços dos combustíveis em Moçambique “tem mostrado um impacto directo e imediato sobre a inflação e sobre as taxas de juros da economia”. “Como o combustível é um dos principais custos do transporte, logística e distribuição nacional, qualquer aumento da gasolina ou do gasóleo acaba rapidamente por se reflectir nos preços de bens e serviços em praticamente todos os sectores económicos”, concluiu.

(Foto DR)

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