Frustrada com o país, Banda Safari anuncia fim da carreira. “Cada um vai a sua vida, porque em Moçambique não dá para viver”

Em Dezembro deste ano, a Banda Safari, que existe há cerca de 50 anos, vai terminar a jornada musical. Segundo o líder e membro fundador, é preciso ser insistente para sustentar a vida somente com a música em Moçambique.

A despedida será uma caravana por todas as províncias do país nos próximos meses, devendo encerrar com o último espetáculo em 31 de Dezembro de 2026.

“Esta é a última música dos Safari. Já faz muito tempo… nós tocamos e… é a nossa reforma agora. Portanto, Dezembro, fim do ano, será o último concerto nosso e cada um vai a sua vida” disse Bento Magonzana.

Em entrevista à Televisão de Moçambique, embora com óculos de sol, a voz e o semblante pareciam demonstrar uma frustração que logo foi expressa.

“A gente vai parar com isso porque, realmente, em Moçambique a música não dá para viver. Vive de música quem realmente é insistente como eu sou” considerou.

Conforme notou, os concertos são realizados em um formato excludente, que deixam de fora os músicos. “Isso não é bom. Tem que dar espaço para toda a gente. Isso realmente dói”.

Outra crítica lançada tem que ver com os conteúdos das músicas actuais, em que, segundo Magonzana, não são censurados, com cada músico a cantar disparates.

“Agora não há censura na música. Cada um canta o que lhe vai à cabeça. Fica complicado. Naquele tempo havia censura” disse.

Ali Faque, outro membro dos Safari disse que as músicas dos dias de hoje deixaram de carregar a cor local, marcando a identidade e origem dos próprios cantores. “Estão a tocar coisas da cabeça deles”.

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