A demora no desembolso de fundos para a acção social está a deixar milhares de cidadãos da terceira idade sem o apoio necessário na capital do país.
A situação de vulnerabilidade dos idosos em Maputo agravou-se significativamente nos últimos meses devido à falta de verbas destinadas aos centros de assistência aberta. O Departamento de Género, Criança e Acção Social (DGCAAS), em coordenação com o Instituto Nacional de Acção Social (INAS), tem envidado esforços para redireccionar os grupos mais carenciados para centros fechados, unidades públicas e instituições geridas por entidades privadas ou religiosas.
Anastácia Tchamo, responsável pela Assistência Social no DGCAAS, revelou que, actualmente, estão a ser apoiadas 153 pessoas idosas em centros fechados disponíveis em seis distritos municipais, com excepção de KaNyaka. Esta mudança de estratégia deve-se ao facto de vários albergues terem sido desactivados por falta de financiamento directo para projectos de acção social, restando apenas o Lar dos Desamparados como a única unidade a acolher este grupo vulnerável na região.
Apesar das limitações financeiras, as equipas de assistência têm procurado garantir o fornecimento de produtos de primeira necessidade, artigos de higiene, limpeza, vestuário e alimentação diária para assegurar uma vida condigna aos desfavorecidos. Em paralelo, foi prestado apoio psicossocial a 12 idosos vítimas de violência no seio familiar, sendo a maioria mulheres.
Conforme avançado anteriormente pelo jornal Notícias, a sustentabilidade destes programas depende da regularização dos orçamentos estatais, uma vez que a dependência de doações externas e de parcerias com o sector privado não cobre a totalidade da procura crescente por assistência social na capital.
As autoridades aproveitam a oportunidade para exortar os agregados familiares a reforçarem o cuidado com os seus parentes, evitando casos de abandono. É importante destacar que o respeito e o amparo à terceira idade são direitos fundamentais protegidos por lei, e o incumprimento destas obrigações familiares pode resultar em sanções previstas na Lei de Protecção à Pessoa Idosa.
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