O Governo de Moçambique deu um passo decisivo para transformar a logística na zona centro do país. Foi assinado, esta quarta-feira, 22 de Abril, um memorando de entendimento entre o Ministério dos Transportes e Logística (MTL) e o consórcio formado pelas empresas chinesas Union Zhongmei e Union Portlink Capital, visando o financiamento de projectos estratégicos para o Corredor da Beira.
O acordo, rubricado pelo ministro João Matlombe, surge num momento crucial para a competitividade da infra-estrutura, que tem enfrentado desafios significativos no atendimento aos países do hinterland.
Com um orçamento inicial superior a 160 milhões de dólares, o projecto foi desenhado em fases estratégicas. Numa etapa prioritária, será construída uma estrada directa para o Porto da Beira, visando descongestionar e melhorar o fluxo de trânsito no troço Beira-Machipanda, ao longo da Estrada Nacional Número 6 (N6).
O plano de modernização engloba ainda:
- A construção de um Porto Seco no Dondo com a respectiva estrada de acesso.
- A implementação de um centro de fracção logística para potenciar o manuseamento de mercadorias.
De acordo com o jornal Dossiers e Factos, a intervenção governamental justifica-se pela necessidade urgente de responder à dependência dos países vizinhos — nomeadamente Zimbabwe, Zâmbia e Malawi — em relação ao Porto da Beira.
Actualmente, a infra-estrutura enfrenta graves problemas de eficiência. Segundo o ministro João Matlombe, o tempo de espera no terminal de carga pode exceder os 60 dias, chegando aos 90 dias no sector de combustíveis.
“Estamos a perder carga para Dar-es-Salaam [Tanzânia]”, afirmou o governante, sublinhando que a demora está a tornar o Corredor da Beira menos competitivo e a resultar numa redução das receitas fiscais para o Estado moçambicano.
Após a conclusão da infra-estrutura rodoviária, o plano prevê uma segunda fase focada exclusivamente na modernização interna do Porto da Beira.
A assinatura deste memorando ocorreu sob o olhar atento de Daniel Chapo, que encerra hoje a sua visita de sete dias à República Popular da China. O acto reforça a diplomacia económica do Executivo, focada na atracção de capital estrangeiro para infra-estruturas críticas que visam posicionar Moçambique como um hub logístico regional.
Imagem: DR