O Governo moçambicano tem assegurados cerca de 40 milhões de dólares, disponibilizados pelo Banco Mundial, para a digitalização de 63 unidades sanitárias no País, no âmbito da estratégia de modernização do sistema nacional de saúde.
A informação foi avançada esta quarta-feira (15), em Maputo, pelo director nacional de Planificação no Ministério da Saúde (MISAU), José Manuel, à margem da 1.ª Conferência de Saúde Digital de Moçambique.
Segundo o responsável, a iniciativa integra um esforço mais amplo de introdução de tecnologias como inteligência artificial e telemedicina, com vista a melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde. “Pretendemos que, progressivamente, alguns pacientes deixem de precisar de se deslocar às unidades sanitárias, podendo realizar consultas a partir de casa”, afirmou.
Citado pela AIM, José Manuel explicou que o processo de digitalização já está em curso, com projectos-piloto em unidades sanitárias de referência. “O processo já iniciou, com um piloto no Hospital Geral de Mavalane, estando também criadas condições para implementação no Hospital Central de Quelimane e no Hospital Geral da Beira”, disse.
O dirigente sublinhou, no entanto, que o sucesso da iniciativa depende não apenas da infraestrutura tecnológica, mas também da capacitação dos profissionais de saúde e da literacia digital da população. “Não basta digitalizar as unidades sanitárias. É necessário capacitar os profissionais e melhorar o conhecimento da população sobre estas ferramentas”, referiu, acrescentando que: “a digitalização permitirá reforçar a capacidade de resposta do sistema nacional de saúde, através da integração de dados e melhoria da tomada de decisão clínica”.
Adicionalmente, no âmbito de um memorando com o Governo dos Estados Unidos da América, está prevista a expansão do processo para cerca de 800 unidades sanitárias nos próximos cinco anos. “No total, estão já garantidas condições para a digitalização de cerca de 863 unidades sanitárias, de um universo de aproximadamente 1900 existentes no País”, explicou.
Por seu turno, o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, afirmou que a saúde digital integra a estratégia de modernização da administração pública. “A transformação digital é uma prioridade do Governo, e o sector da saúde está alinhado com esta visão”, disse.
Muchanga destacou que o uso de tecnologias emergentes poderá melhorar significativamente o acesso aos serviços, sobretudo nas zonas remotas. “A digitalização pode permitir que os poucos centros de saúde existentes atendam populações distantes, além de apoiar o diagnóstico clínico e a gestão hospitalar”, afirmou.
A conferência reuniu decisores políticos, especialistas nacionais e internacionais, parceiros de cooperação e representantes do sector privado, para debater a inovação tecnológica aplicada à saúde.
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