O cenário do tráfico de estupefacientes em Moçambique continua a desafiar as autoridades nacionais. Durante o ano de 2025, o país registou a apreensão de 497,961 kg de metanfetamina, um volume expressivo que acende o alerta para o crescimento das drogas sintéticas no corredor regional.
Segundo dados avançados hoje, na cidade de Maputo, pelo porta-voz do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga citado pelo jornal Domingo, José Bambo, este número representa um aumento de aproximadamente 30 kg em relação ao período anterior. Conforme reportado pelo jornal Domingo, as províncias do centro e norte do país continuam a ser os principais pontos de retenção destas substâncias ilícitas.
O relatório detalha que o esforço de fiscalização concentrou os maiores resultados em duas províncias estratégicas. A província de Sofala liderou a lista com 288 kg apreendidos, seguida de Nampula, com 191,26 kg, consolidando-se ambas como zonas de trânsito crítico.
Para além da metanfetamina, as autoridades travaram a circulação de 217,414 kg de heroína e de uma quantidade massiva de cannabis sativa — a popular soruma — que totalizou cerca de 3.727,402 kg a nível nacional no decorrer do último ano.
A posição geográfica de Moçambique continua a ser explorada por redes criminosas transnacionais para alcançar mercados externos. O Gabinete de Combate à Droga identificou itinerários específicos: a rota Afeganistão-Paquistão-Pemba-Zambézia-Maputo-África do Sul é predominantemente usada para o escoamento de metanfetamina e heroína.
Já o tráfico de cocaína utiliza frequentemente o eixo São Paulo-Adis Abeba-Maputo com destino final na África do Sul. No caso do haxixe, a proveniência principal identificada é a Índia. O nosso país permanece, assim, como um corredor estratégico de passagem para o mercado sul-africano e para a Europa.
Apesar do aumento no volume de drogas apreendidas, o número de arguidos registou uma redução. Em 2025, foram contabilizados 617 arguidos, contra os 732 registados em 2024.
Sobre a situação jurídica dos detidos, o porta-voz informou que 228 cidadãos beneficiaram de liberdade provisória. Outros 283 indivíduos acompanham os respectivos processos no Ministério Público sob custódia, enquanto 106 aguardam igualmente detidos pela conclusão da instrução preparatória. As autoridades reiteram que o reforço da vigilância nas fronteiras é prioritário para combater o crime organizado.
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