Arguido engana Tribunal de KaMpfumo com cheques sem fundo e foge

Mário Sérgio António Maluvele teria usado documentos falsos para pagar uma caução de 3 milhões de meticais. O seu paradeiro é agora desconhecido, lançando o sistema judiciário moçambicano numa crise de credibilidade.

Um caso descrito como insólito e perturbador está a abalar as fundações da Justiça em Maputo. Mário Sérgio António Maluvele, arguido acusado de burla e associação criminosa, conseguiu a sua libertação do Tribunal Judicial do Distrito Municipal KaMpfumo após apresentar cheques sem provisão para o pagamento de uma caução milionária.

O mandado de soltura, assinado a 27 de março de 2026 por uma Juíza de Direito substituta, foi emitido após a apresentação de comprovativos bancários que, aparentemente, validavam o pagamento de 3 milhões de meticais. No entanto, a farsa só foi descoberta quando o arguido já se encontrava fora do alcance das autoridades, aumentando o clima de inquietação nas instituições.

A facilidade com que os documentos foram aceites levanta questões críticas sobre os protocolos de verificação do Tribunal. Especialistas questionam como foi possível aceitar cheques de valor tão elevado sem uma confirmação imediata junto às entidades bancárias. A situação levanta a hipótese de ter havido falha humana, negligência administrativa ou uma confiança excessiva na autenticidade dos documentos apresentados pelo arguido e pela sua defesa.

Segundo o jornal Magazine, o Ministério Público (MP) surge neste cenário como uma potencial vítima de uma burla executada dentro do próprio sistema que deveria salvaguardar a legalidade. Suspeita-se que tenha havido uma manipulação documental profunda, uma vez que os recibos e comprovativos conseguiram convencer os serviços competentes da autenticidade da transação antes da emissão do alvará de soltura.

Um áudio atribuído ao advogado do arguido, de nome Espírito Santo, tornou-se público nos últimos dias e veio adensar o escândalo. Na gravação, o causídico mostra-se visivelmente abalado e apela diretamente ao seu cliente para que se entregue voluntariamente às autoridades em Maputo. O advogado insiste que a fuga apenas agrava a situação e adverte que, caso seja capturado, Maluvele enfrentará consequências duplicadas.

A narrativa da defesa revela ainda que houve um trabalho intenso para reduzir o valor original da caução, que rondava os 7 milhões de meticais, para cerca de 3 milhões. Esta redução foi baseada na alegada mobilização de fundos por parte de amigos, uma confiança que terá sido traída no momento em que se descobriu que os cheques não tinham qualquer cobertura bancária.

Até ao momento, o paradeiro de Mário Maluvele, descrito como residente no bairro Singathela, permanece incerto. A sua ausência reforça a suspeita de que a operação foi premeditada para explorar as fragilidades no circuito de validação de pagamentos judiciais. As autoridades moçambicanas deverão agora desencadear investigações mais profundas para apurar eventuais responsabilidades e entender como o sistema permitiu esta saída pela porta da frente.

Imagem: DR

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