O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) frustrou uma tentativa de implantação de uma rede internacional de tráfico de droga em solo moçambicano. A operação resultou na detenção de três indivíduos, incluindo dois cidadãos de nacionalidade mexicana e um moçambicano, suspeitos de pertencerem ao temido Cartel de Sinaloa.
A intenção do grupo, segundo as autoridades, era estabelecer unidades de produção de estupefacientes, conhecidas como fabriquetas, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, contando com a colaboração de cidadãos locais e nigerianos.
Os suspeitos mexicanos, de 43 e 45 anos, aterraram no Aeroporto Internacional de Mavalane num voo da TAP. A detenção foi possível graças a um trabalho de inteligência que monitorava a chegada dos indivíduos através de fontes operativas. De acordo com o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, citado pelo jornal Domingo, a primeira abordagem revelou irregularidades graves na documentação, uma vez que os passaportes continham vistos preliminares forjados, supostamente emitidos em Março de 2026, e não apresentavam carimbos de saída ou trânsito do México, Espanha ou Portugal.
As investigações indicam que um terceiro mexicano já se encontra em Moçambique com a missão de coordenar a logística e a instalação da unidade de produção. O grupo terá ainda tentado contornar a fiscalização através de contactos no Serviço Nacional de Migração (SENAMI) para garantir a emissão de vistos de turismo que facilitassem a circulação.
O caso ganha contornos de maior complexidade com a ligação ao bairro da Coop, na Cidade de Maputo, especificamente na área vulgarmente conhecida como Zona da Colômbia. O SERNIC está agora no encalce de um cidadão moçambicano, esposo de uma suposta traficante local, que fugiu do aeroporto ao notar a presença policial. Este indivíduo teria deixado um comparsa, que já se encontra detido, com a responsabilidade de levar os recém-chegados para uma unidade hoteleira.
De referir que a infiltração de redes internacionais de narcotráfico tem sido um tema central na actualidade nacional, com o jornal Domingos a destacar recentemente o esforço das autoridades moçambicanas no combate ao crime organizado transnacional. O SERNIC continua a trabalhar para localizar o terceiro elemento mexicano e o facilitador moçambicano que se encontra em parte incerta, visando desmantelar totalmente esta célula em Moçambique.
Imagem: Jornal Domingos