Salomão Moyana apela a criação de “grupo de choque” para travar crise de combustíveis

O jornalista e comentador Salomão Moyana lançou duras críticas à forma como o Governo tem gerido a atual crise de combustíveis em Moçambique. Numa análise incisiva, Moyana defende que o cenário exige uma mudança de paradigma urgente: a criação de uma equipa intersectorial com poderes deliberativos reais, capaz de ultrapassar a tutela limitada do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Para o comentador, durante o programa Semana com Salomão Moyana da MBC TV, a crise já extravasou as questões puramente energéticas, afetando de forma estrutural o tecido económico nacional e a disponibilidade de divisas. O jornalista afirmou que não se pode continuar a fazer de contas que não se vê o problema, sublinhando que a estratégia de minimizar a gravidade da situação tem sido um dos erros recorrentes na governação do país.

Moyana defende que a resposta ao problema deve ser holística. A equipa de choque proposta deveria integrar, além do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, entidades estratégicas como o Banco de Moçambique, para a gestão da escassez de divisas, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, representando o setor privado, e os ministérios da Economia e do Interior, para a coordenação financeira e logística.

O comentador não poupou o Executivo no que toca à gestão das finanças públicas, apontando que o momento exige medidas rigorosas de contenção de despesas.
Moyana trouxe para o debate a perceção pública sobre os gastos com viagens presidenciais, um tema que tem gerado especulação na praça pública. Sem tomar uma posição sobre o mérito das deslocações do Chefe de Estado, Salomão Moyana alertou para a falha na estratégia de comunicação do Governo: a falta de clareza em explicar à população como é que os gastos correntes se coadunam com a austeridade exigida pela crise.

Teria de haver uma comunicação muito assertiva para mostrar que as viagens do Presidente não afetam o funcionamento normal da economia, sustentou o comentador, reforçando que, num contexto de crise, qualquer sinal de despesismo que não seja devidamente justificado alimenta o descontentamento social e a desconfiança nas instituições.

Para Moyana, o caminho para a estabilidade passa por assumir a realidade sem rodeios e agir com a transparência que a gravidade da situação moçambicana reclama.

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