A Associação Moçambicana de Bancos publicou esta terça-feira os indexantes de referência para o próximo mês, revelando um custo do dinheiro que continua a pesar sobre famílias e empresas
O sistema financeiro moçambicano entra em Abril com a taxa de referência do crédito — a chamada Prime Rate — fixada em 15,50%, resultado da soma entre o Indexante Único de 9,30%, calculado pelo Banco de Moçambique, e o Prémio de Custo de 6,20%, apurado pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB). A estes valores acresce ainda o spread de cada banco, o que significa que a taxa final suportada pelos clientes pode ser consideravelmente superior.
O Indexante Único reflecte o custo médio do dinheiro no mercado interbancário, calculado com base nas operações overnight entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais, bem como nas operações repo e permutas de liquidez entre instituições. A taxa MIMO — instrumento central da política monetária — mantém-se em 9,25%.
Entre os 14 bancos comerciais que operam em Moçambique, o Standard Bank e o Nedbank surgem como as opções mais acessíveis para quem procura crédito à habitação, com spreads de 1,00% e 2,50%, respectivamente. No extremo oposto, o Vista Bank e o First Capital Bank fixaram margens de 6,00% para o mesmo produto, o que, somado à Prime Rate, resulta numa taxa efectiva de pelo menos 21,50%.
No crédito ao consumo, as diferenças são ainda mais acentuadas. O First Capital Bank cobra um spread de 12,00%, enquanto o BCI e o MBIM praticam margens entre 1,20% e 4,50%. Para crédito de curto prazo a empresas, o ABSA apresenta uma das margens mais baixas, com 3,00%, ao passo que o Access Bank e o FNB fixam a sua margem nos 5,00%.
O cenário torna-se ainda mais pesado no segmento das microfinanças. A MyBucks Mozambique e a Socremo praticam spreads de consumo que chegam a 45,35% e 44,40%, respectivamente, para prazos curtos. Mesmo a opção mais competitiva do segmento — o Banco Letshego, com uma margem uniforme de 13,90% independentemente do prazo — resulta, somada à Prime Rate, numa taxa efectiva próxima dos 30%.
Esta realidade coloca Moçambique entre os países com crédito mais caro da região, num contexto em que a economia continua a recuperar lentamente das crises políticas e fiscais dos últimos anos.
Do ponto de vista prático, qualquer pedido de financiamento — seja a um banco comercial ou a uma instituição de microfinanças — continua sujeito a condições de elegibilidade rigorosas. Os clientes particulares devem ter conta bancária há pelo menos seis meses, não registar incidentes na Central de Registos de Crédito do Banco de Moçambique e apresentar uma livrança em branco. Para as empresas, exige-se documentação financeira auditada dos últimos três anos.
Os spreads divulgados são indicativos. Cada instituição reserva-se o direito de ajustar as condições em função do perfil de risco do cliente, do historial creditício e de eventuais protocolos existentes.
Imagem: DR