Pressão pública obriga LAM a manter preços baixos por “medida de solidariedade”

A companhia de bandeira moçambicana, LAM, recuou na decisão de aumentar as tarifas para os voos extraordinários entre Maputo e Xai-Xai. Após uma onda de indignação nas redes sociais, a operadora restabeleceu o preço subsidiado de 4.000 meticais para apoiar os cidadãos retidos pelo corte da Estrada Nacional Número Um (N1).

A situação de emergência provocada pelas severas cheias na província de Gaza, que resultou no bloqueio total da circulação rodoviária na N1, transformou o transporte aéreo na única via de ligação segura para centenas de Moçambicanos. Contudo, o que deveria ser uma operação de assistência humanitária tornou-se, nas últimas horas, num cenário de polémica e críticas severas à gestão da LAM – Linhas Aéreas de Moçambique.

Inicialmente, a LAM anunciou voos extraordinários com uma tarifa de solidariedade fixada em 4.000 meticais. No entanto, à medida que a procura disparou e o fluxo de passageiros a tentar entrar e sair de Xai-Xai aumentou, a companhia aplicou os seus critérios comerciais habituais de formação de tarifas.

Imagens do sistema de reservas da companhia, que circularam amplamente online, mostram bilhetes a serem comercializados por 9.589 meticais — mais do dobro do valor anunciado para a emergência. A tentativa de capitalizar sobre o sofrimento de cidadãos que enfrentam privações extremas e o isolamento foi classificada por muitos como “vergonhosa” e “oportunista”.

A pressão pública não tardou. Após um vídeo denunciando a situação se tornar viral e gerar uma onda de protestos, a LAM emitiu um comunicado de esclarecimento. No documento, a empresa justifica que a subida de preços ocorreu automaticamente após o esgotamento dos lugares reservados à tarifa promocional, mas admite que a dinâmica “gerou indignação entre os clientes”.

Face à gravidade da crise, a transportadora decidiu recuar:

• Tarifa Única: O valor de 4.000 meticais será mantido para todos os lugares na rota Maputo–Xai-Xai–Maputo até à próxima sexta-feira (23 de janeiro).

• Voo de Compensação: Devido a condições meteorológicas adversas que impediram uma aterragem em Chongoene na tarde de segunda-feira, a LAM comprometeu-se a realizar três voos no dia de hoje (terça-feira) para escoar os passageiros.

Apesar do recuo no preço, a logística permanece caótica. Relatos no local indicam a existência de filas com mais de 400 pessoas a tentar adquirir bilhetes para abandonar a zona fustigada pelas águas. São famílias, equipas técnicas e doentes que aguardam, sob enorme tensão, uma oportunidade para chegar à capital, enquanto a Estrada Nacional permanece submersa e intransitável.

A LAM reafirma agora o seu compromisso com a segurança e o apoio às populações afetadas, mas o episódio deixa uma mancha na imagem da companhia de bandeira, num momento em que a solidariedade nacional se tornava mais necessária do que nunca.

Imagem: DR

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