Moçambique dá passo histórico na saúde ao permitir transplantes e doação de órgãos pela primeira vez

O Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou esta quarta-feira o diploma que estabelece o novo Regime Jurídico do Sistema Nacional de Saúde. A grande novidade desta legislação reside na autorização inédita para a doação e transplante de órgãos em território nacional, uma medida que promete transformar a medicina moçambicana.

Num passo decisivo para a modernização do setor da saúde, o Presidente Daniel Francisco Chapo deu luz verde àquela que é considerada a reforma mais profunda de que há memória no sistema público de Moçambique. O novo quadro legal, promulgado este 21 de janeiro, não se limita a reorganizar a gestão hospitalar, mas introduz uma mudança de paradigma humanitário ao regulamentar, pela primeira vez na história do país, a doação, colheita e transplante de órgãos, tecidos e células.

Esta inovação legislativa é o ponto de maior destaque do novo regime jurídico, uma vez que vem preencher uma lacuna que, até agora, limitava drasticamente as opções terapêuticas em casos de falência de órgãos. Segundo a Presidência da República, esta abertura legal representa uma nova oportunidade de vida para o povo moçambicano, permitindo que procedimentos de alta complexidade passem a ter um suporte regulamentar sólido, aumentando assim a esperança de sobrevivência de milhares de pacientes.

Para além do impacto direto na medicina de transplantação, a lei agora promulgada introduz uma reforma estrutural que visa garantir a unicidade do sistema. Através de um comando único, que se estenderá do nível central ao provincial, o Governo pretende eliminar a duplicação de estruturas e a dispersão de recursos que historicamente afetavam a eficiência do atendimento. Esta reorganização administrativa pretende criar um sistema mais ágil, onde a tomada de decisão seja mais rápida e os recursos melhor aproveitados.

Outro pilar fundamental deste diploma é o reforço da proteção social. A nova lei estabelece uma interligação obrigatória entre o Subsistema Público de saúde e as estruturas de Proteção Social, com um foco particular no atendimento à população mais vulnerável.

Com esta integração, o Estado moçambicano procura assegurar que as barreiras económicas não sejam um impedimento ao acesso a cuidados de saúde de qualidade, consolidando um sistema que se pretende mais justo e inclusivo para todos os cidadãos.

Imagem: DR

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