Mais de 46% das empresas enfrentam dificuldades o país

​A confiança das empresas na economia moçambicana voltou a desacelerar no primeiro trimestre de 2026, registando o sétimo trimestre consecutivo de abrandamento, segundo o Boletim de Indicadores de Conjuntura do Instituto Nacional de Estatística.

​O ambiente de negócios em Moçambique continua a enfrentar ventos contrários. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Indicador do Clima Económico (ICE) manteve a sua trajectória descendente no primeiro trimestre de 2026, consolidando um período prolongado de pessimismo no sector empresarial.

​Esta avaliação desfavorável foi, em grande medida, ditada pela queda acentuada da confiança no sector industrial e pela contínua redução da actividade no comércio. Ambos os sectores têm demonstrado dificuldades em recuperar o fôlego, contrariando as ligeiras melhorias observadas na área dos serviços.

​Apesar deste cenário, há sinais mistos no horizonte. O indicador de expectativas de procura tem mostrado melhorias progressivas desde finais de 2025, especialmente nos serviços. Já no que toca ao emprego, após uma queda drástica no início do ano passado, as expectativas de contratação estabilizaram, embora continuem abaixo da média histórica.

​A vida das empresas moçambicanas não tem sido fácil. O relatório do INE destaca que cerca de 46,3% das empresas inquiridas enfrentaram sérias dificuldades para operar neste trimestre — um agravamento de 5,6 pontos percentuais em relação ao final de 2025.

​”A indústria é o sector mais fustigado, com 53% das unidades a reportarem obstáculos severos à sua actividade, seguida de perto pelos serviços com 48% e pelo comércio com 38%.”

​No que toca aos preços de bens e serviços, houve uma inversão da tendência negativa que se arrastava desde 2024. Este factor, influenciado por aumentos em quase todos os sectores, trouxe um pequeno alento às contas das empresas, embora insuficiente para inverter o sentimento geral de desconfiança.

​O boletim do INE deixa claro que o sector industrial interrompeu a sua breve recuperação, com os empresários a demonstrarem fortes reservas quanto às perspectivas futuras da economia nacional.

Imagem: DR

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