O Governo moçambicano definiu a expansão da rede escolar como prioridade estratégica para o próximo quinquénio. Académicos defendem que a proximidade das infraestruturas é o fator determinante para combater o abandono escolar e garantir a retenção dos alunos no sistema público.
A educação em Moçambique atravessa um período de transformação profunda. Sob a liderança de Daniel Chapo, o Executivo está a materializar um dos planos mais ambiciosos das últimas décadas: uma expansão infraestrutural desenhada para garantir que, até 2029, o ensino chegue com qualidade às zonas mais recônditas do país. A informação foi avançada este domingo no telejornal da Televisão pública.
Desde o início do mandato, assinalado pela inauguração da Escola Secundária de Alto Lúguèla, Daniel Chapo tem reiterado que a educação é a base do desenvolvimento. O governante afirmou na ocasião que a falta de carteiras escolares é uma inquietação constante, defendendo que, num país rico em recursos florestais, não faz sentido existirem crianças a estudar sentadas no chão. Para o Chefe de Estado, é imperativo reverter esta realidade, uma vez que cada criança deve aprender num espaço cómodo.
Até ao momento, o balanço das inaugurações é positivo. Só em setembro, na província de Sofala, foram entregues 10 novas unidades, elevando para 15 o número de escolas concluídas desde o arranque do projeto. Entre as instituições modernas e equipadas destacam-se as escolas primárias completas de Moçambique Industrial, Ndja, Lamego, 12 de Outubro e Nyasuronga, bem como as secundárias de Tica, Lamego, Cura e Metuchira.
Para Martins Laita, académico e reitor da Universidade Aberta ISCED, a construção destas infraestruturas terá um impacto direto na permanência dos alunos no sistema público. Laita defende que a escola de proximidade é o fator decisivo para o sucesso do sistema, reconhecendo o esforço enorme que o Governo está a fazer na expansão da rede escolar junto dos seus parceiros.
Segundo o académico, quando as escolas são construídas junto das comunidades, as distâncias são reduzidas, o que promove não só novas matrículas, mas também uma maior retenção de estudantes na rede escolar. Este fator é considerado fundamental para a melhoria do acesso à educação em todo o território nacional.
O Programa Quinquenal do Governo, aprovado pela Assembleia da República, estabelece metas quantitativas rigorosas para o parque escolar. No que diz respeito ao ensino primário, o Executivo propôs-se a concluir 3.095 salas de aula até 2029, estando já finalizadas 705 unidades. Quanto às escolas secundárias de ensino geral, o plano prevê a construção de 64 novas escolas, das quais 14 já foram concluídas, o que representa uma execução de 21,8%.
Relativamente ao mobiliário escolar, o objetivo é colocar à disposição dos alunos um total de 80.575 carteiras. Até à data, foram já distribuídas cerca de 28.800 unidades, atingindo-se assim 35,8% da meta estipulada.
Apesar do foco na infraestrutura física, Daniel Chapo sublinha que o desenvolvimento das paredes deve ser acompanhado por reformas qualitativas. Na abertura do ano letivo, na Escola Secundária da Independência, o Presidente destacou a necessidade de formar mais professores e providenciar formações contínuas para que estes se atualizem permanentemente. Além disso, o governante apontou o reforço da supervisão pedagógica como uma peça essencial para garantir que a expansão física se traduza num ensino mais eficiente.
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