O Ministério dos Transportes e Logística (MTL) de Moçambique anunciou esta terça-feira, 24 de março, uma intervenção drástica no Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO). A decisão surge na sequência de auditorias que revelaram um cenário de “disfunções institucionais graves”, incluindo indícios de corrupção e uma incapacidade técnica que deixou milhares de cidadãos sem documentos básicos.
A crise no regulador de transportes atingiu o seu ponto mais crítico no primeiro trimestre de 2026. Dados oficiais revelam que, até meados de fevereiro, o INATRO acumulava:
- 40 mil cartas de condução pendentes de impressão.
- Cerca de 32 mil processos administrativos parados.
A degradação do atendimento e as falhas recorrentes nos sistemas informáticos foram apontadas como os principais motivos para a insatisfação geral dos utentes e a perda de credibilidade da instituição.
A reestruturação foi desencadeada pelos resultados de uma inspeção interna do MTL, complementada por uma auditoria independente do Ministério da Administração Estatal e Função Pública (MAAFP). As conclusões são claras: o instituto enfrenta uma crise de gestão interna, agravada por sistemas tecnológicos obsoletos e práticas irregulares que configuram fortes indícios de corrupção.
Para inverter a situação, o Governo estabeleceu um roteiro de emergência que será monitorizado por uma equipa técnica interinstitucional. As medidas principais incluem:
- Mobilidade de quadros: Substituição gradual de funcionários e integração de técnicos provenientes de outros setores da Administração Pública.
- Estabilização tecnológica: Intervenção urgente nos sistemas de suporte para garantir a retoma da prestação de serviços.
- Monitorização rigorosa: O processo terá uma fase crítica de implementação com prazo fixado até agosto de 2026.
Com esta medida, o Executivo reafirma o compromisso com a transparência e a defesa do interesse público, tentando restaurar a confiança dos cidadãos numa das instituições mais sensíveis do setor dos transportes no país.
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