Governo admite persistência de desafios no empoderamento da mulher

O Secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira, reconhece que ainda persistem vários desafios que condicionam o pleno empoderamento da mulher, com destaque para a fraca inclusão no mercado de trabalho e a reduzida representação feminina em cargos de decisão.

As declarações foram feitas esta terça-feira (07), em Nampula, no âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, assinalado a 7 de Abril, sob o lema: “Direitos, justiça e acção para todas as mulheres e raparigas”.

Na ocasião, o dirigente destacou que, apesar dos avanços registados na promoção da autonomia económica da mulher e na redução da pobreza, continuam a existir obstáculos estruturais que limitam o seu desenvolvimento.

Citado pelo Jornal Rigor, Pereira defendeu a necessidade de reforçar o investimento na capacitação técnica e profissional da rapariga, bem como medidas para combater a violência baseada no género e melhorar o acesso aos serviços de saúde.

O governante apontou ainda a urgência de eliminar barreiras culturais que contribuem para uniões prematuras e comprometem a permanência da rapariga no sistema de ensino.

“A remoção das barreiras culturais que dificultam o combate às uniões prematuras e comprometem a frequência escolar é fundamental para garantir o futuro das raparigas. É igualmente importante assegurar o acesso à terra e promover o desenvolvimento de projectos de empreendedorismo”, afirmou.

Plácido Pereira referiu também as dificuldades no acesso ao crédito, considerando que este factor limita as iniciativas económicas das mulheres e a geração de rendimento familiar. “A emancipação efectiva da mulher exige esforços multidisciplinares para assegurar a independência económica, a liberdade social e a participação política, com investimento contínuo na educação e qualificação profissional”, acrescentou.

O Secretário de Estado manifestou ainda preocupação com a vulnerabilidade das mulheres face a eventos extremos, como mudanças climáticas, terrorismo e insegurança alimentar, bem como a sobrecarga de trabalho nas zonas rurais. “Preocupa-nos a prevalência do feminicídio, um crime baseado no género que continua a causar a morte de muitas mulheres. É necessário o envolvimento de toda a sociedade no seu combate”, disse.

Por fim, defendeu que a superação dos desafios enfrentados pela mulher deve ser uma responsabilidade colectiva. “A luta pela emancipação da mulher não deve ser apenas das mulheres. A mulher é a pedra angular da família e suporte da sociedade, devendo assumir um papel central na educação, saúde e promoção dos valores éticos e morais para o fortalecimento da nação”, concluiu.

 

(Foto DR)

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