Governador do BdM desvaloriza impacto do eventual encerramento da Mozal no acesso a divisas

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou esta segunda-feira que o eventual encerramento da fábrica de alumínio Mozal deverá ter impacto limitado no acesso a divisas no país.

Falando esta segunda-feira, durante a conferência do Comité de Política Monetária, o responsável destacou que, apesar da relevância da empresa no ecossistema industrial moçambicano, a sua contribuição directa para o fundo cambial nacional tem sido reduzida.

Segundo Zandamela, uma parte significativa das receitas geradas pelas exportações de alumínio não entra no circuito financeiro nacional, uma vez que permanece no exterior para cobrir custos operacionais e compromissos internacionais.

O governador sublinhou que este factor diminui o peso efectivo da empresa na disponibilidade de moeda estrangeira, num contexto em que o país continua a enfrentar desafios relacionados com a escassez de divisas.

Ainda assim, o dirigente reconheceu que uma eventual saída da Mozal representaria um desafio para a economia, sobretudo pelo impacto no emprego, na actividade industrial e na confiança dos investidores.

Zandamela defendeu, por isso, a necessidade de acelerar a diversificação das fontes de entrada de divisas, com destaque para o sector energético.

Na sua intervenção, o governador apontou o sector do gás natural como uma das principais apostas para compensar eventuais perdas e reforçar a entrada de moeda estrangeira no país.

Nos últimos anos, Moçambique tem registado crescimento na exploração e exportação de gás, um desenvolvimento considerado estratégico para melhorar a balança de pagamentos e apoiar a estabilidade macroeconómica.

As declarações surgem num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e reduzir a pressão sobre o mercado cambial, ao mesmo tempo que reforça a confiança dos investidores e a sustentabilidade das contas externas.

Imagem: DR

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