Fundos Catalíticos impulsionam melhorias de gestão das PME e abandono da informalidade

Fundos Catalíticos impulsionam melhorias de gestão das PME e abandono da informalidade

O coordenador da Unidade de Gestão do Fundo Catalítico na Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, Adérito Mavie, afirmou que centenas de pequenas e médias empresas (PME) estão a abandonar a informalidade e a adoptar práticas de gestão mais estruturadas, incluindo a organização contabilística e o cumprimento das obrigações fiscais, impulsionadas pelas subvenções dos Fundos Catalíticos.

Segundo o responsável, o processo está a contribuir para o alargamento da base tributária, o fortalecimento do sector privado e a criação de empresas mais preparadas para aceder a diferentes mecanismos de financiamento.

De acordo com Adérito Mavie, a exigência de formalização para o acesso às subvenções está a promover uma transformação estrutural na organização das empresas, sobretudo nos corredores da Beira e de Nacala, onde os programas são implementados há mais tempo.

Entre as iniciativas de maior impacto destaca-se o Projecto Conecta Negócios, apoiado pelos Fundos Catalíticos de Inovação e Demonstração (FCID), que já desembolsou cerca de 15 milhões de dólares para o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PME).

Nos últimos anos, os projectos Polos Integrados de Crescimento, Comércio e Conectividade Agro-industrial, Conecta Negócio, Mais Oportunidades e MozRural mobilizaram mais de 74 milhões de dólares em subvenções comparticipadas.

Segundo o responsável, os corredores da Beira e de Nacala contam actualmente com empresas mais preparadas para responder às exigências dos concursos, enquanto a região sul continua a enfrentar dificuldades na elaboração de planos de negócio, na organização documental e na preparação de candidaturas.

Mavie acrescentou que a necessidade de cumprir os requisitos dos fundos tem incentivado a formalização de empresas que durante anos operaram na informalidade, alargando a base fiscal e melhorando a capacidade de acesso ao financiamento.

Citado numa publicação da AIM, o responsável explicou ainda que as subvenções representam uma alternativa para empresas com dificuldades em obter crédito bancário, devido às elevadas taxas de juro e às exigências de garantias.

O modelo prevê uma comparticipação das empresas beneficiárias entre 10% e 30%, consoante a dimensão do negócio, procurando não apenas financiar investimentos, mas também criar capacidade empresarial sustentável.

Adérito Mavie salientou que os fundos têm um efeito multiplicador na economia local, ao impulsionarem a procura de fornecedores, empresas de construção, transportadoras, consultoras e outros prestadores de serviços.

Apesar dos progressos, reconheceu que persistem desafios, sobretudo ao nível da contabilidade organizada e da escrituração empresarial, defendendo uma preparação contínua das PME para aproveitarem as oportunidades de financiamento.

 

(Foto DR)

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