Factura de importação de combustíveis triplica e Governo admite pressão nos preços

O mercado petrolífero internacional quebrou o período de estabilidade e a factura de importação para Moçambique disparou de forma alarmante. Dados avançados pela Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Filizbela Cunhete, indicam que o custo de aquisição de produtos petrolíferos triplicou, passando de 80 milhões para 230 milhões de dólares americanos, reflectindo a volatilidade dos mercados externos.

Em entrevista à MBC, a dirigente explicou que a subida acentuada começou a registar-se em Março. O cenário é particularmente crítico no combustível para aviação, o Jet, que praticamente duplicou ao saltar de 789 para 1.592 dólares por tonelada. A gasolina e o gasóleo não ficaram atrás, com a gasolina a atingir os 1.031 dólares e o gasóleo a ultrapassar a barreira dos mil dólares por tonelada.

O agravamento dos preços de importação, especificamente os preços FOB (na origem), deve-se directamente ao conflito registado no Médio Oriente. Uma vez que a maior parte do combustível que abastece o mercado moçambicano provém daquela região, o país acaba sofrendo o impacto directo da instabilidade geopolítica.

Filizbela Cunhete esclareceu à MBC que, como Moçambique é um país tomador de preços, a importação com uma factura mais alta reflecte-se inevitavelmente no mercado doméstico. A Directora sublinhou que esta não é uma situação isolada, afectando igualmente outros países da região que enfrentam os mesmos desafios logísticos e financeiros.

Apesar da pressão sobre sectores chave como o transporte e a logística, o Governo garante que possui um conjunto de medidas escalonadas para amortecer o choque. Estas acções incluem a activação de componentes de estabilização na estrutura de preços, visando proteger a economia nacional de uma aceleração brusca da inflação.

Durante o encontro com a imprensa, que contou com a participação da Autoridade Reguladora de Energia e da Petromoc, a Directora Nacional desmentiu qualquer cenário de crise de combustível no país. Filizbela Cunhete apelou aos cidadãos para que não façam o açambarcamento de produtos, um comportamento que cria pressão desnecessária nos stocks e pode causar disrupções reais na cadeia de distribuição que, neste momento, se mantém operacional.

Imagem: DR

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