O Estado moçambicano despende anualmente cerca de 466 milhões de meticais para financiar o funcionamento dos partidos políticos. Contudo, a opacidade domina este processo: estas verbas não constam do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), o que lhes permite escapar ao escrutínio público e à fiscalização direta dos cidadãos.
De acordo com os dados avançados pela peça jornalística do Jornal Evidências, a repartição do bolo financeiro é feita da seguinte forma:
• A FRELIMO, partido no poder, recebe a fatia de leão, com 319 milhões de meticais por ano.
• PODEMOS, maior partido da oposição, recebe 80 milhões de meticais.
• A RENAMO, terceiro maior partido da oposição. recebe 52 milhões de meticais.
• Ao MDM (Movimento Democrático de Moçambique) são atribuídos 15 milhões de meticais.
O foco das denúncias recai também sobre o partido PODEMOS. Embora a formação política receba 80 milhões de meticais, o seu líder, Albino Forquilha, terá declarado apenas 60 milhões. Membros do próprio partido acusam Forquilha de desviar 20 milhões de meticais da verba anual destinada à organização.
Hélder Mendonça, uma das vozes críticas neste processo, lançou duras farpas à liderança do partido, afirmando que “acusam os outros de ladrões (referindo o partido no poder) enquanto são eles que roubam”.
A investigação sublinha o impacto social deste gasto milionário. Com os 466 milhões de meticais investidos anualmente na classe política, o Estado moçambicano teria capacidade financeira para contratar 1.400 novos professores ou adquirir 20 milhões de livros para o sistema de ensino.
Este cenário levanta questões éticas profundas sobre as prioridades do gasto público num país que enfrenta carências básicas no setor da educação, saúde e infraestruturas.
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