A economia de Moçambique caminha para um ano de 2026 marcado por forte incerteza financeira, com o risco de desvalorização do Metical a surgir como uma das maiores ameaças à estabilidade das famílias.
De acordo com a investigação “Perspectivas 2026” do Centro de Integridade Pública (CIP), a escassez de divisas no mercado nacional e a redução das reservas internacionais estão a criar uma pressão sem precedentes sobre a moeda nacional.
O relatório aponta que a dificuldade de acesso a dólares e outras moedas estrangeiras tem limitado a capacidade de importação do país. Com o financiamento externo em queda e o atraso nas receitas esperadas da indústria extractiva, o Banco de Moçambique poderá ser forçado a permitir uma correção na taxa de câmbio oficial. Caso o Metical perca valor de forma acentuada, o impacto será sentido imediatamente através de uma nova vaga de inflação, uma vez que o país depende fortemente do exterior para quase tudo o que consome.
O CIP alerta que o aumento dos preços não será uniforme, atingindo com maior gravidade bens de primeira necessidade. Os combustíveis, que são o motor da economia nacional, e os produtos alimentares importados, como cereais e óleos, deverão sofrer agravamentos que irão encarecer o custo de transporte e o cabaz básico das famílias moçambicanas. Além disso, o sector da saúde, que já enfrenta carências, verá o preço dos medicamentos disparar, dificultando ainda mais o acesso a tratamentos essenciais.
Para os analistas do CIP, a gestão deste cenário será o grande teste para o segundo ano de governação de Daniel Chapo. A investigação sublinha que, sem reformas que estimulem a produção interna e uma gestão mais transparente das contas públicas, Moçambique continuará vulnerável a choques externos. O documento conclui que o risco cambial não é apenas um indicador económico, mas uma ameaça social que pode aprofundar a pobreza e a exclusão num contexto de restrição orçamental severa.
Imagem: DR