Empresa ligada à família Nyusi acusada de expropriar terras para exploração de ouro em Manica

Uma empresa mineira alegadamente associada a Florindo Nyusi, filho do antigo Presidente da República Filipe Nyusi, está a ser acusada por comunidades locais de expropriar terras para expandir a exploração de ouro na província de Manica.

Segundo relatos de residentes da localidade de Maridza, no posto administrativo de Machipanda, distrito de Manica, a empresa denominada Flomining terá iniciado processos de recolha de dados e identificação de propriedades em zonas habitadas, o que está a gerar receios entre a população quanto à possibilidade de reassentamento forçado.

De acordo com o jornal Canal de Moçambique, moradores afirmam que equipas alegadamente ligadas à empresa têm circulado pelas comunidades próximas das áreas mineiras, recolhendo informações sobre casas e terrenos, incluindo coordenadas geográficas de residências.

A população teme que estas acções façam parte de um processo preparatório para a retirada de famílias das zonas onde existem reservas de ouro. Alguns residentes relatam ainda impactos ambientais associados à actividade mineira, incluindo destruição da vegetação, erosão dos solos e poluição de cursos de água.

Moradores afirmam que o método de escavação utilizado em certas áreas está a provocar desprendimento de terras e pedras das montanhas para zonas mais baixas, onde existem casas e campos agrícolas, aumentando o risco para as comunidades.

Em resposta às acusações, o chefe da localidade de Maridza, Samuel Jemua, negou que esteja em curso qualquer processo oficial de reassentamento da população, afirmando que não existe um procedimento formal nesse sentido. Segundo explicou, caso tal situação viesse a acontecer, teria de seguir mecanismos legais que envolveriam autoridades distritais, provinciais e centrais.

O responsável local reconheceu, no entanto, que houve falhas no processo de consulta comunitária quando algumas empresas iniciaram operações na região, admitindo que parte da população não participou nas reuniões realizadas na altura.

Enquanto isso, residentes continuam a manifestar preocupação com os possíveis efeitos sociais e ambientais da expansão da exploração de ouro na região, defendendo maior transparência e diálogo com as comunidades potencialmente afectadas.

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