O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), General Júlio dos Santos Jane, determinou a expulsão de vários oficiais superiores e subalternos das fileiras do exército nacional. A medida, que visa restaurar a ordem e o brio militar, surge num contexto de tolerância zero à indisciplina e à corrupção dentro das Forças de Defesa e Segurança (FDS).
De acordo com despachos recentes datados de Março de 2026 em que o jornal Magazine Independente teve acesso, as expulsões fundamentam-se na violação do Regulamento de Disciplina Militar. As ordens de serviço afectam oficiais destacados em diversas unidades estratégicas, incluindo o Batalhão de Infantaria de Chókwè, a Base Aérea de Nacala e a Academia Militar Marechal Samora Machel.
Entre os nomes citados nos documentos oficiais figuram o Tenente Délio Magaissane, o Tenente Elino João e o Tenente-Coronel Juma Abdala. Segundo o jornal Magazine Independente, fontes internas da instituição confidenciaram que as medidas decorrem de comportamentos que desviam da ética militar, como o abuso de poder, ausências prolongadas sem justificação e o envolvimento em esquemas de fuga de informação.
Esta movimentação na estrutura de defesa alinha-se com a visão do Presidente da República e Comandante-Chefe das FDS, Daniel Chapo, que assumiu o cargo com a promessa de “purificar as fileiras”. Chapo tem alertado reiteradamente para a necessidade de combater o “deixa-andar” e garantir que as forças estejam focadas na defesa da integridade territorial e no combate ao terrorismo.
“É urgente resolver o problema da massa salarial e dos militares que não cumprem as suas funções. Precisamos de uma força pronta e íntegra”, defendeu o estadista em intervenções recentes.
A “limpeza” nas FADM é vista por analistas como um passo necessário para reforçar a moral das tropas que se encontram no teatro operacional. A manutenção de oficiais com condutas desviantes tem sido apontada como um dos factores que, por vezes, compromete o sucesso de missões críticas no terreno.
Com estas decisões, o General Júlio Jane, nomeado para o cargo em Abril de 2025, reafirma o seu compromisso com a modernização e a disciplina das Forças Armadas, enviando uma mensagem clara de que a impunidade não terá lugar na instituição militar moçambicana.
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