Crise na Saúde: APSUSM mantém greve e denuncia falta crítica de material básico nas unidades sanitárias

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) reafirmou, na segunda-feira (21), a continuidade da greve no sector. Em curso desde 16 de janeiro, a paralisação é justificada pela persistente escassez de condições de trabalho nas unidades sanitárias do país, cenário que, segundo a classe, compromete a dignidade do atendimento ao cidadão.

Em declarações públicas, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, descreveu um panorama desolador que define o quotidiano de muitos profissionais de saúde. De acordo com o dirigente, a falta de material de proteção individual e consumíveis hospitalares básicos é crítica.

Os profissionais relatam a ausência de luvas, máscaras, vestuário adequado e blocos de receita. Como consequência, o atendimento é frequentemente realizado sob a luz de lanternas, enquanto sacos plásticos são utilizados como alternativa improvisada às luvas durante a realização de partos.

Para Muchave, a persistência desta precariedade configura um “crime contra a saúde pública”, sublinhando que os profissionais operam sem a segurança mínima necessária para o exercício das suas funções.

A tensão no Sistema Nacional de Saúde (SNS) é agravada por problemas salariais. Na última semana, a situação ganhou contornos de protesto na capital, com médicos estagiários da Universidade Zambézia, na cidade da Beira, a acamparem junto ao Ministério da Saúde em Maputo. O grupo exige o pagamento de salários que, segundo os mesmos, estão em atraso há 10 meses.

Apesar das denúncias da APSUSM e da pressão dos profissionais, o Executivo moçambicano mantém uma postura de tranquilidade. Recentemente, em intervenções no Parlamento, representantes do Governo asseguraram que o funcionamento do SNS está normalizado e que os processos de pagamento dos salários em atraso estão a decorrer com normalidade.

Imagem: DR

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