O economista moçambicano Roberto Tibana lançou duras críticas à gestão económica do país durante uma entrevista à MBC. Segundo o especialista, a crise financeira desencadeada pelas dívidas ocultas foi o principal motor do retrocesso social que colocou Moçambique novamente entre os cinco países mais pobres do mundo, de acordo com dados recentes do Banco Mundial.
Para Tibana, o foco da discussão nacional não deve ser a rejeição das estatísticas internacionais, mas sim a realidade vivida pelas famílias. Ele aponta que o país retrocedeu de uma taxa de pobreza de 40% para mais de 60% em pouco mais de uma década.
“O que aconteceu em 2015 para cá? Foi a grande crise financeira que resultou das dívidas ocultas. O bloqueio dos apoios externos e o enfraquecimento das empresas fizeram com que voltássemos para trás”, afirmou o economista.
Um dos pontos mais sensíveis da análise de Tibana é a erosão da classe média moçambicana. Ele defende que a fragilização deste grupo — composto por gestores, engenheiros e arquitectos — impede que a economia funcione, pois é esta camada que garante a execução das políticas de desenvolvimento.
O relatório do Banco Mundial, citado na entrevista, desenha um cenário sombrio para a economia nacional:
- Rendimento em queda: O rendimento nacional bruto per capita caiu 8% entre 2015 e 2024.
- Década Perdida: O período de 2016 a 2025 é classificado como uma “década perdida” para o bem-estar da população.
- Linha da Pobreza: Grande parte dos moçambicanos sobrevive com menos de 2,15 dólares por dia (cerca de 137 meticais, à taxa atual), valor insuficiente para as necessidades básicas.
O economista defende que o Governo deve parar de se comparar com outros países em crise (como Somália ou Sudão) e focar em como alcançar um crescimento de 8% a 9% nos próximos cinco anos. Segundo Tibana, apenas um crescimento robusto e focado na criação de emprego para os jovens poderá retirar os mais de 20 milhões de moçambicanos da pobreza extrema.