CPJ exige investigação sobre tentativa de assassinato de Carlitos Cadangue e o filho – MZNews

O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) apela às autoridades moçambicanas para investigarem a tentativa de assassinato do jornalista moçambicano Carlitos Cadangue, e seu filho, na quarta-feira (04), na cidade de Chimoio, província de Manica.

Em nota, Muthoki Mumo, o Coordenador do Programa para a África do CPJ, considerou que Moçambique se está a revelar um país cada vez menos acolhedor para jornalistas.

“O ataque contra Carlitos Cadangue e seu filho é um lembrete assustador de que Moçambique está a se tornar cada vez mais inseguro para jornalistas. Embora Cadangue e seu filho tenham tido sorte de sobreviver sem ferimentos físicos, eles precisam de uma acção urgente do Estado para investigar de forma confiável esse tiroteio, incluindo qualquer possível envolvimento da polícia, e para garantir que a justiça seja feita” disse, citado no documento.

O jornalista e o seu filho escaparam a uma tentativa de assassinato, no bairro Trangapasse, quando seguiam em uma viatura, por volta das 18h30.

A vítima disse à imprensa estar quase certo de haver alguma relação entre o crime e as reportagens sobre a exploração mineira na província. Segundo Cadangue, o assunto incomodou pessoas “poderosas” que até viram seus nomes citados em algumas reportagens.

Refere o CPJ que horas antes do ataque, foi ao ar a reportagem de Cadangue sobre a morte de 11 garimpeiros ilegais em um deslizamento de terra. Era a mais recente de uma série de reportagens de Cadangue que a emissora de televisão privada STV vinha transmitindo desde Setembro sobre o impacto da mineração em Manica.

Em 30 de Setembro de 2025, o Governo suspendeu todas as licenças de mineração na província, uma medida fortemente contestada pelas empresas de mineração.

Cadangue disse que vários amigos o alertaram em Janeiro para não sair de casa porque pessoas da indústria de mineração “estavam atrás de mim”.

“O CPJ defende o fim da impunidade para ataques contra jornalistas em Moçambique, incluindo o assassinato a tiros pela polícia em 2024 do blogueiro Albino Sibia, conhecido como Mano Shottas, enquanto transmitia ao vivo no Facebook, e os desaparecimentos de Arlindo Chissale em 2025 e Ibraimo Mbaruco em 2020” lê-se.

O porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal, Hilário Lole, disse ao CPJ por telefone que uma investigação está em andamento e que a agência informará o público assim que houver novidades, refere o CPJ.

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