O Executivo vai investir dois mil milhões de dólares para o aumento da capacidade de manuseio de carga no Porto de Maputo, nos próximos dez anos, por forma a torná-lo no mais competitivo da região.
Esse investimento é, de longo, o maior no total de 2,5 mil milhões de dólares para injectar no corredor de desenvolvimento do Sul, segundo o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.
Segundo o Governante, até 2025, registou-se 35 milhões de toneladas de carga manuseada. “Nossa expectativa é subir para 50 milhões de toneladas ao longo dos próximos dez anos”.
“É um investimento que está a ser feito, mas nos próximos dez anos é fazer uma subida de forma acentuada” adiantou.
Conforme avançou, está para breve, ainda este semestre, o lançamento da dragagem.
“O Porto de Maputo vai passar a ser o mais profundo da zona Sul, mais ou menos da África Austral, passando a receber navios panamax com mais de 70 mil [toneladas]. São navios que não podem sequer atracar no Porto de Durban. Portanto, vai ser o porto mais competitivo da região” disse.
João Matlombe disse que actualmente o Porto de Maputo já é competitivo em termos de eficiência se comparado ao Porto de Durban.
Falando no programa Cartas na Mesa da Rádio Moçambique, referiu que no corredor de desenvolvimento no Sul decorrem obras de melhoria na EN4 “como parte do fim do contrato de concessão”, e prevê-se o início, este semestre, da construção da fronteira de paragem única.
“Com esta integração toda, desde a fronteira ao Porto de Maputo, teremos aqui um dos melhores corredores da região em termos de eficiência de logística, e isso é importante para o aumento da receita da colecta fiscal” disse.
Ele considerou que existe potencial para o Corredor da Beira ser o melhor do país, pois se trata de um corredor natural que serve a vários países, principalmente, o Zimbabué.
Na Beira, disse, está em curso um trabalho fora do Porto para o descongestionar o porto, num investimento de 80 milhões de dólares; foi aprovada a construção de um porto seco e centro de facilitação logística em Dondo, que “vai ser o maior da região” devendo funcionar como extensão do Porto da Beira com o qual vai manter ligação ferroviária; e está em fase final a negociação para a fronteira de paragem única e centro de facilitação logística em Machipanda, na província de Manica.
No interior do Porto da Beira, vai ser duplicado o terminal de combustíveis para reduzir os atrasos e gerar atractividade. “Estamos a falar de um investimento de mais de 250 milhões de dólares”.
O terminal de cargas do Porto da Beira também vai ser intervencionado, uma vez que se está a perder carga para o Porto de Dar-es Salam.
“Pensamos que pode se fazer um pouco mais. A concessionaria não fazendo, o Governo vai fazer. Não é uma questão de opção. Isto está até a afectar a níveis diplomáticos” disse.
Adiantou que em breve vai ser lançado um concurso para a construção de um porto seco dedicado em Moatize, província de Tete, para escoamento de minerais para a Zâmbia, e distribuição de carga para Beira ou Nacala, em Nampula.
Por outro lado, disse que seis empresas já manifestaram interesse para a construção da linha-férrea Nacala-República Democrática do Congo, avaliada em 350 milhões de dólares.
“Acreditamos que, os principais corredores, bem capitalizados, muito bem orientados, podem gerar uma economia extraordinária para o país. O país pode, só com isso, ter mais de 50% do seu Produto Interno Bruto, vivendo só a partir dos corredores de desenvolvimento que temos” afirmou.