Como são atribuídos os nomes aos ciclones

Enquanto o ciclone tropical Gezani se aproxima da costa moçambicana pelo Canal de Moçambique, com previsões de ventos fortes, chuvas intensas e agitação marítima, a maioria da população ainda não sabe como surgem os nomes destes fenómenos naturais.

O sistema, que já provocou destruição em Madagáscar, voltou a alertar autoridades e comunidades costeiras sobre a necessidade de preparação e prevenção.

Ao contrário do que muitos pensam, os nomes dos ciclones não são escolhidos ao acaso. Eles seguem um sistema internacional coordenado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), segundo explica a organização, em colaboração com os serviços meteorológicos de cada região afetada. O principal objetivo é facilitar a comunicação pública e reduzir confusões, especialmente quando existem várias tempestades ativas ao mesmo tempo

Cada bacia oceânica — Atlântico, Pacífico, Índico e Pacífico Sul — possui listas próprias de nomes, aprovadas e atualizadas periodicamente pelos comités regionais da WMO. Um ciclone recebe nome quando atinge força de tempestade tropical, com ventos sustentados de cerca de 63 km/h ou mais.

No Atlântico Norte e Pacífico Nordeste, os nomes seguem listas alfabéticas que alternam entre nomes masculinos e femininos, reutilizadas ciclicamente a cada seis anos. Já no Pacífico Oeste, os nomes são fornecidos pelos países membros da WMO e podem ser animais, flores ou termos culturais, não apenas nomes próprios.

No Índico Norte e Sul, participam países como Índia, Moçambique, Madagascar, Maurícia e Seychelles, garantindo que os nomes sejam culturalmente relevantes e fáceis de pronunciar. A região do Pacífico Sul e Austrália também utiliza listas fornecidas por serviços meteorológicos da Austrália, Fiji, Nova Zelândia e Vanuatu, refletindo a diversidade linguística e cultural.

Um detalhe importante do sistema é a chamada aposentação de nomes. Quando um ciclone provoca destruição significativa ou vítimas, o seu nome é retirado das listas futuras, evitando confusões e prestando respeito às populações afetadas.

O exemplo do ciclone Gezani ilustra bem a utilidade deste sistema: um nome cultural claro e único permite que alertas meteorológicos sejam eficazes, ajudando comunidades costeiras e autoridades a preparar-se melhor para os impactos de tempestades tropicais cada vez mais intensas.

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