Apesar da tensão geopolítica internacional resultante do conflito que bloqueou o estreito de Ormuz, o fornecimento de combustíveis líquidos em Moçambique mantém-se estável.
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa Júnior, garantiu, esta segunda-feira, 20 de abril, que os terminais portuários da Matola, Beira, Nacala e Pemba operam sem restrições na recepção de navios com gasóleo, gasolina e Jet Fuel.
A garantia surge num momento em que a economia global enfrenta incertezas nas rotas de abastecimento. Segundo dados oficiais citados pelo PCA em entrevista à TVM, só o Porto da Matola manuseou, entre janeiro e abril do corrente ano, cerca de 200 milhões de litros de combustíveis fósseis destinados ao mercado nacional. Actualmente, a estratégia de diversificação de Moçambique passa pela importação a partir dos mercados da Ásia e das Américas.
Contudo, nem tudo são boas notícias para o sector. Apurou-se que a indústria nacional de logística de combustíveis enfrenta obstáculos estruturais que podem comprometer a continuidade do fluxo.
O principal gargalo reside na dificuldade de liquidação de facturas em tempo real, agravada pela escassez de moeda estrangeira, nomeadamente o dólar, o que tem estrangulado a operação de muitos operadores.
Em paralelo, surge um problema de fiscalização que preocupa as autoridades: existem fortes suspeitas de que algumas distribuidoras nacionais estejam a efectuar a reexportação ilegal de combustíveis importados para países vizinhos da região da SADC. A prática seria motivada pela subida acentuada dos preços da gasolina e do gasóleo naqueles mercados, tornando o lucro no mercado informal mais atractivo do que o abastecimento doméstico.
A situação exige uma vigilância apertada para garantir que o produto importado, sob esforço cambial, chegue efectivamente aos postos de abastecimento locais.