AMEPETROL alerta que Moçambique está a perder combustível para países vizinhos

A Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) lançou um alerta crítico sobre a estabilidade das reservas de combustível em solo nacional. Segundo a agremiação, Moçambique está a enfrentar uma “drenagem silenciosa” de stocks, impulsionada por operadores estrangeiros que cruzam as fronteiras para aproveitar os preços mais baixos praticados no mercado moçambicano.

O foco principal de preocupação reside na província de Tete. Dados avançados pela AMEPETROL à MBC indicam que vários postos de abastecimento na região fronteiriça já registam ruturas de stock. O motivo é a forte pressão vinda do Malawi, onde o custo de vida e os preços de energia dispararam recentemente.

No país vizinho, o litro da gasolina chega a atingir o equivalente a 250 meticais. Esta enorme disparidade face aos preços praticados nas bombas nacionais tornou Moçambique um destino preferencial para o abastecimento de frotas e operadores estrangeiros, que encontram aqui uma margem de poupança significativa.

A AMEPETROL suspeita que este fenómeno não seja um caso isolado de Tete, mas que se esteja a alastrar por outros corredores fronteiriços do país. A agremiação aponta para a existência de um mercado paralelo regional que se alimenta da fragilidade na fiscalização das fronteiras porosas.

Esta crise interna é agravada pelo contexto geopolítico global. Com as tensões no Médio Oriente a fazerem flutuar o preço do barril de petróleo, a manutenção de combustíveis mais baratos em Moçambique torna-se um desafio financeiro crescente para o Estado.

Recentemente, o Governo moçambicano, através do Chefe de Estado, já tinha antecipado a chegada de “dias difíceis”, apelando à contenção no consumo. Com a pressão dos países vizinhos sobre os stocks internos, a actualização de preços na bomba parece cada vez mais iminente para travar a fuga de recursos para o exterior.

Imagem: DR

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