O investigador do Centro de Integridade Pública (CIP), Baltazar Fael, afirmou, hoje, que o Gabinete da primeira-dama da República parece não ter serventia para o Estado moçambicano.
“Nem percebo qual é a relevância do Gabinete da Primeira-dama. Para que é que serve isto?” questionou, quando convidado, no CIP Cast, a comentar o anúncio recente de Gueta Chapo em oferecer capulanas a todas as mulheres do país, por ocasião da efeméride do Dia da Mulher Moçambicana, que se assinala a 7 de Abril.
“Para mim, pelo menos, não serve para nada. É um gabinete mais para tirar recursos do Estado” respondeu-se, notando que outras instituições do Estado poderia realizar o mesmo trabalho.
Aliás, para demonstrar o quão desnecessário é o Gabinete, outros países mais desenvolvidos do que Moçambique não o têm. Para Fael, uma postura de excelência verificada foi a demonstrada pela próxima Primeira-dama de Portugal que, ao ser questionada se iria criar um “Gabinete da Primeira-dama”, respondeu evidenciando um afastamento da vida política.
“Em Portugal, para quem estava a acompanhas as eleições, José Seguro ganhou, e a mulher foi perguntada – porque lá oferecem um Gabinete de trabalho – […] se vai seguir o marido nessa coisa de Gabinete, e ela disse: não. Eu sou empresária, tenho a minha actividade, vou continuar a fazer o meu trabalho, e o Presidente que faça o trabalho dele” recordou. “Esta é a postura que nós temos de continuar a seguir como moçambicanos”.
O investigador questionou se, de facto, existe uma agenda e propósito do Gabinete da Primeira-dama. Além disso, recordou que o facto de, recentemente, Gueta Chapo e outras entidades políticas terem pernoitado em tendas, isso não reflecte a vida que eles realmente levam.
“Pode ser algo simbólico, mas a vida real deles não é aquela. E pode ter a certeza que todos aqueles que estavam nas tendas não tinham segurança, mas ela, ali, estava com seguranças, que saíram do palácio. E não sei que mais condições ela tinha ali que os outros não tinham” disse.
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