Standard Bank defende acção conjunta para acelerar a inclusão económica feminina
O Standard Bank defendeu, na quarta edição da Conferência Mulheres na Economia, que a participação económica das mulheres deve acompanhar a transformação estrutural da economia moçambicana, ligando formação, oportunidades de liderança e conteúdo local aos sectores que irão criar novas competências, empresas e cadeias de valor.
Intervindo na sessão de abertura em representação do Banco, Alice Parsotamo, Directora de Integração do Negócio, sublinhou que o desafio já não se limita a aumentar a presença das mulheres na economia, mas a criar condições para que consigam permanecer, crescer e participar nas decisões que irão moldar o futuro do País.
“A economia em que hoje trabalhamos não será a mesma em que a próxima geração irá competir”, afirmou, acrescentando que “quando o futuro audita, raramente bastam intenções. Contam, sim, as provas”.
A responsável chamou ainda a atenção para o impacto da transformação tecnológica sobre o futuro do trabalho. Segundo um estudo publicado em Março de 2026 pela Organização Internacional do Trabalho, as ocupações predominantemente femininas apresentam quase o dobro da exposição à inteligência artificial generativa: 29% face a 16%.
Para o Standard Bank, este contexto reforça a importância de aproximar a formação da economia real e de preparar mais raparigas e jovens mulheres para sectores e competências que ganharão relevância nos próximos anos.
A participação do Banco na Conferência foi igualmente sustentada por evidências da sua própria trajectória. No último retrato interno disponível, cerca de 42% das posições de gestão do Standard Bank Moçambique são ocupadas por mulheres, traduzindo-se em presença efectiva na liderança de equipas, gestão de recursos, responsabilização por resultados e influência sobre decisões em diferentes áreas da organização.
Através da Incubadora de Negócios e de programas de desenvolvimento empresarial, o Banco tem igualmente procurado ampliar a capacidade de empreendedores e PME.
Em 2025, mais de 1.600 pessoas participaram nas masterclasses para PME realizadas em Moçambique. No mesmo período, cinco sessões do programa Lionesses of Africa reuniram mais de 500 mulheres, com foco em aprendizagem prática, mentoria e criação de redes.
Para o Standard Bank, estes indicadores representam uma base importante, mas o desafio seguinte é acompanhar de forma cada vez mais concreta a trajectória posterior à capacitação: entrada em novos mercados, conquista de contratos, crescimento das empresas, criação de emprego e participação em cadeias de valor estratégicas.
Esta perspectiva está alinhada ao tema da quarta edição da Conferência Mulheres na Economia, centrado na formação, liderança e conteúdo local.
Ao longo da sua intervenção, Alice Parsotamo defendeu que a capacidade criada deve sobreviver à oportunidade inicial e permitir às mulheres avançar para actividades de maior complexidade e valor.
“Talvez a engenheira que, daqui a dez anos, dirigirá uma unidade técnica num projecto de energia esteja hoje numa sala de aula em Pemba, Mocuba ou Chibuto. Talvez a empresária que fornecerá tecnologia ou serviços a um dos grandes projectos da próxima década esteja agora a testar a sua primeira ideia”, referiu.
A responsável falava, recentemente, na cidade de Maputo, durante a abertura da quarta edição da Conferência Mulheres na Economia, organizada pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), sob o lema “Formação, Liderança e Conteúdo Local: Potenciar as Mulheres para Aceder, Competir e Liderar os Sectores Estratégicos da Economia.”
Na sessão de abertura, a ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, alertou para a necessidade de reduzir o desfasamento entre a qualificação das mulheres e o seu efectivo acesso ao emprego.
Conforme explicou, embora as mulheres representem 44,8% dos beneficiários da formação técnico-profissional e 49,4% dos estágios pré-profissionais remunerados, recebem apenas 21,4% das bolsas atribuídas ao Ensino Técnico-Profissional, o que demonstra que a progressão para oportunidades de especialização e emprego continua a ser um desafio.
“Não queremos apenas mais mulheres a entrar na economia. Queremos mulheres com condições para permanecer, crescer, competir, fornecer e liderar. Uma economia que não reconhece o talento das mulheres escolhe crescer abaixo das suas possibilidades”, observou.
Por seu turno, o administrador-delegado da FDC, Diogo Milagre, explicou que a conferência visa reforçar a reflexão em torno da formação, da liderança e do conteúdo local como pilares para uma maior participação das mulheres nos sectores estratégicos da economia.
“Pretende-se promover uma reflexão sobre o papel decisivo da formação e da liderança na capacitação das mulheres para identificarem, aproveitarem e capitalizarem as oportunidades do mercado, reforçando a sua presença e competitividade nos sectores estratégicos da nossa economia”, sublinhou.
A conferência reuniu representantes do Governo, sector privado, academia, parceiros de desenvolvimento e sociedade civil para debater estratégias que promovam uma participação mais activa das mulheres na economia nacional.

