A Montepuez Ruby Mining (MRM) entregou ao Estado moçambicano cerca de 11,3 milhões de dólares durante o último ano, valor que corresponde a 23 por cento das suas receitas totais. Esta contribuição foi detalhada pela Gemfields, operadora da mina em Namanhumbir, na província de Cabo Delgado, no âmbito do relatório “G-Factor para Recursos Naturais”.
De acordo com dados partilhados pelo jornal Notícias, os indicadores canalizados pela mineradora nos últimos dez anos, entre 2016 e 2025, estão fixados numa média de 26 por cento. Em termos acumulados, este esforço fiscal representa um encaixe de 275,5 milhões de dólares para os cofres públicos moçambicanos na última década, evidenciando o peso da exploração de rubis na economia nacional.
O CEO da Gemfields, Sean Gilbertson, explicou que os resultados de 2025 mostram como as contribuições variam perante as condições de mercado. No último exercício, o valor total em numerário foi inferior ao de períodos anteriores devido à redução da produção de rubis de categoria premium e ao adiamento do leilão que estava previsto para o mês de Dezembro.
Somam-se a estes desafios as constantes incursões de mineração ilegal na concessão e a necessidade de ajustamentos operacionais. Contudo, a administração sublinha que o compromisso com a transparência permanece inabalável, permitindo que tanto o Governo como os cidadãos possam avaliar com clareza a gestão dos recursos naturais partilhados.
O “G-Factor para Recursos Naturais” é uma medida de transparência que calcula a percentagem de receitas pagas ao país anfitrião sob a forma de royalties, impostos e dividendos. Esta métrica aplica-se a empresas multinacionais nos sectores da mineração, petróleo, gás e pesca.
A Montepuez Ruby Mining continua a ser um dos activos mais estratégicos do país, sendo detida em 75 por cento pela Gemfields e em 25 por cento pela empresa moçambicana Mwiriti Limitada, operando naquele que é considerado um dos depósitos de rubis mais significativos descobertos recentemente a nível mundial.
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