Mortes por doenças crónicas em Moçambique saltam para 37 por cento

O cenário da saúde em Moçambique está a sofrer uma mutação drástica e preocupante. O Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, lançou um alerta contundente esta quarta-feira na Assembleia da República: o país enfrenta uma “tragédia silenciosa” impulsionada pelo crescimento acelerado das doenças não transmissíveis.

Os dados apresentados pelo governante revelam uma mudança profunda no perfil da população moçambicana. Em 2005, a taxa de sobrepeso situava-se nos 21,2%, tendo disparado para 35,5% em 2024. Este aumento evidencia uma tendência crescente de factores de risco como a obesidade, a diabetes e a hipertensão arterial.

Isse enfatizou que o país assiste a um aumento de factores de risco que são, na sua essência, evitáveis. A falta de actividade física, os hábitos alimentares inadequados e o consumo de tabaco e álcool estão a agravar a situação clínica nacional, exigindo uma reacção imediata tanto das autoridades como dos cidadãos.

Embora Moçambique tenha registado uma diminuição nas doenças infecciosas, as patologias crónicas e os traumas — resultantes sobretudo de acidentes rodoviários — já representam cerca de 60% da procura pelos serviços de saúde. Esta transição coloca uma pressão sem precedentes sobre o erário público.

O Ministro alertou que o tratamento de doenças como a diabetes e a hipertensão é significativamente mais dispendioso do que o de doenças infecciosas como a malária. A gravidade da situação reflecte-se nos indicadores de mortalidade, que saltaram de 8% em 2007 para 37% no biénio 2023/2024.

Um dos maiores obstáculos apontados foi o baixo nível de conhecimento da população sobre estas enfermidades. Muitas pessoas vivem sem saber que sofrem de hipertensão ou diabetes, o que inviabiliza o diagnóstico precoce e resulta em complicações graves que poderiam ser evitadas com rastreios regulares no Sistema Nacional de Saúde.

Como resposta estratégica, o governante abordou a necessidade de avançar com a legislação sobre transplantes. Esta medida é vista como uma alternativa sustentável à hemodiálise, cuja procura tem crescido de forma insustentável no país.

Ao concluir a sua intervenção, Ussene Isse apelou aos deputados para que actuem como educadores nas suas comunidades. O foco deve ser a prevenção e a adopção de estilos de vida saudáveis, reiterando que o futuro da saúde pública moçambicana depende das acções tomadas agora.

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