A capital norte-americana, Washington DC, foi o palco de um passo decisivo para o futuro económico de Moçambique. Numa reunião estratégica realizada esta segunda-feira, 13 de Abril, a Ministra da Economia e Finanças, Carla Loveira, deu o “chute de saída” para uma nova era de cooperação com o Banco Mundial, através do ambicioso Country Partnership Framework (CPF).
Este não é apenas mais um documento de gabinete; trata-se do instrumento que vai nortear a relação entre as partes nos próximos cinco anos, com um envelope financeiro impressionante: o Grupo Banco Mundial prevê mobilizar cerca de 6 mil milhões de dólares norte-americanos para o país ao longo do período de vigência.
De acordo com a governante moçambicana, na nota publicada nesta terça-feira, o foco não será disperso. O objectivo é direccionar os recursos para sectores com “musculatura” para mudar a face da economia nacional e gerar o tão necessário emprego para a juventude moçambicana.
As prioridades estão claramente traçadas em áreas como a energia, o agro-negócio, o turismo e o desenvolvimento de competências da força de trabalho. Além disso, haverá um reforço rigoroso da estabilidade macro-fiscal, com um olhar muito atento ao desenvolvimento dos corredores económicos, que são vitais para a logística e o comércio na região.
Diferente de modelos anteriores, o novo CPF é fruto de um esforço colectivo. O texto final consolida contribuições colhidas num amplo processo de consulta que envolveu o Governo, o sector privado, a sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento. É, por isso, uma visão partilhada para o futuro de Moçambique.
A agenda em Washington não se limitou ao Banco Mundial. Num gesto de proximidade e alinhamento institucional, Carla Loveira reuniu-se também com o moçambicano Adriano Ubisse, actual Director Executivo da Constituência da África Austral. No encontro, foram passados em revista os indicadores macro-fiscais do país, assegurando que Moçambique mantém a credibilidade junto das instituições de Bretton Woods.
Com este volume de investimento no horizonte, o desafio passa agora pela implementação célere e transparente dos projectos, de modo a que o impacto chegue, de facto, ao dia-a-dia das famílias.