A Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (AMVIRO) denunciou a existência de corrupção e irregularidades nos centros de inspecções periódicas obrigatórias de viaturas nas províncias de Nampula e Niassa, situação que contribui para a fraca adesão dos automobilistas a estes serviços.
Segundo a organização citada pelo Jornal Rigor, muitos condutores recorrem a meios informais para garantir a aprovação das viaturas, sobretudo quando enfrentam problemas mecânicos ou pretendem evitar longas filas e atrasos no atendimento.
A denúncia foi apresentada durante a divulgação dos resultados da primeira fase do projecto “Muikhapelele”, lançado pela AMVIRO em Março do ano passado no âmbito do programa Conectividade e Comércio da África Austral, que visa reforçar a segurança rodoviária e sensibilizar as comunidades para a prevenção de acidentes.
O coordenador-geral adjunto do consórcio, Higino Celso Mussequesse, confirmou a existência de práticas irregulares no processo de inspecção. “Nós não somos políticos, somos técnicos. Há, sim, e não é novidade. Existem factores por detrás disso que estão plasmados no nosso relatório”, afirmou.
Segundo o responsável, factores como burocracia, morosidade no atendimento, valores de inspecção não uniformes e receio de reprovação das viaturas levam alguns automobilistas a procurar alternativas ilícitas. “Alguns dizem que preferem pagar alguém para facilitar a obtenção da ficha de inspecção, em vez de levar a viatura ao centro”, explicou.
A organização defende que, para reduzir acidentes e combater práticas de corrupção, é necessário reforçar a fiscalização, melhorar o funcionamento dos centros de inspecção e intensificar a sensibilização dos automobilistas sobre a importância da manutenção preventiva das viaturas.
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