As autoridades moçambicanas eximiram-se de tomar medidas de precaução para evitar os danos causados pela precipitação na segunda fase da época chuvosa, apesar de terem sabido do que se aproximava com alguma antecedência.
A constatação é do engenheiro hidráulico, José Matola, que afirma que antes de Moçambique, a África do Sul já sofria com cheias e inundações. Em entrevista à DW, revelou que as autoridades tiveram essa informação a tempo de poder tomar medidas para evitar lamúrias. Ele entende que o país falhou na activação do seu mecanismo de aviso.
“Antes das cheias atingirem a zona do Limpopo, uma semana antes corria uma informação sobre as cheias que estavam a ocorrer em Kruger Park. E, sabendo que as águas dessa região, mais tarde ou mais cedo, vêm para Moçambique, não houve uma atitude de quem estava a ver as águas a vir para Moçambique” disse.
Referiu que se transmitiu uma impressão de as águas terem surpreendido as autoridades quando chegaram a Massingir, na província de Gaza, precisamente no dia em que procuraram reagir à situação.
“E nessa altura é quando começaram a abrir as comportas. Se tivessem tido a atenção de ver os modelos de propagação das cheias, a partir de montante nessa região, podiam ter, talvez, aberto as comportas com alguma antecedência, de tal modo que a cheia pudesse chegar enquanto a capacidade de encaixe tenha sido criada” referiu.
Segundo o INGD, já morreram 146 pessoas desde 01 de Outubro de 2025, e mais de 844 mil pessoas foram afectadas.