A operação de salvamento das dezenas de cidadãos isolados desde domingo no troço Mafacitela–Hariane entrou hoje numa fase crítica. Após tentativas frustradas por via fluvial, a presidente do INGD, Luísa Celma Meque, confirmou que o resgate será agora tentado por helicóptero, aproveitando uma aberta nas condições meteorológicas.
O drama das 68 pessoas que se encontram sitiadas no distrito de Mapai, província de Gaza, aproxima-se de um momento decisivo. O grupo, que inclui 23 crianças e 25 mulheres, permanece retido desde a manhã do último domingo, quando a força das águas interrompeu a circulação no troço entre Mafacitela e Hariane, impedindo a travessia de quem seguia no percurso Mapai–Massangena.
Após a visita da Administradora distrital, Maria Helena Langa, na passada segunda-feira, a expectativa inicial recaía sobre o envio de uma embarcação a motor prometida para terça-feira. Contudo, em declarações exclusivas ao jornal Dossiers & Factos prestadas há poucos minutos, a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Celma Meque, revelou que o resgate por via fluvial se revelou impossível.
“A única alternativa é a via aérea”, explicou Luísa Celma Meque, que se encontrava naquele momento a bordo de um helicóptero em direção a Mapai. “Já fizemos todos os esforços, mas é uma zona sem acesso para barcos.”
A operação aérea tem enfrentado sérios obstáculos devido à persistência de chuvas fortes na região. Nas primeiras horas desta quinta-feira, o helicóptero de socorro tentou aproximar-se da zona onde os sobreviventes se encontram abrigados, mas foi forçado a recuar perante a intensidade da precipitação.
No momento do contacto telefónico com o jornal Dossiers & Factos, a presidente do INGD indicou que o céu se apresentava aparentemente mais aberto, criando as condições mínimas de segurança para que a aeronave pudesse finalmente tentar a extração dos cidadãos. O objetivo é retirar as pessoas do local onde se encontram presas nas margens da estrada, expostas às intempéries há cinco dias consecutivos.
As 68 pessoas, que tentaram abrigar-se em camiões e viaturas ligeiras, encontram-se numa situação de extrema vulnerabilidade. A zona de difícil acesso tem dificultado não só o resgate, mas também a prestação de assistência direta. A prioridade máxima das autoridades é agora garantir que a janela de oportunidade meteorológica permita a retirada segura de todos os sitiados antes que o tempo volte a fechar.
Em Mafacitela, o centro de emergência continua de prevenção para receber os sobreviventes, onde uma equipa multissetorial aguarda para prestar os cuidados de saúde e o apoio logístico necessários após quase uma semana de isolamento sob chuva intensa.