O Estados Islâmico em Moçambique (EIM) diversificou a forma de arrecadação de receitas, na província de Cabo Delgado, o que pode explicar a sua resiliência no país.
Uma análise do Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) indica que, inicialmente, o braço do EIM recebia dinheiro directamente do escritório de al-Karrar, gerido pelo Estado Islâmico na Somália. Mas, devido à “insignificância” e à “irregularidade” de alocação do financiamento – uma vez que as transferências são feitas na base da confiança – o EIM diversificou as suas fontes.
O ACLED refere que o EIM se financia através de sequestros e pedidos de resgate, extorsão e mineração artesanal.
As análises indicam que em 2025 os sequestros com propósito de pedir resgate quadruplicaram representando cerca de 10% de toda a actividade desses grupos no ano.
Igualmente, os bloqueios de estradas, principalmente a N380, no troco entre a cidade de Macomia e a vila de Awasse, aumentaram significativamente, não obstante a existência de cinco postos militares de vigilância.
O relatório nota que a preferência pela N380 se deve ao facto de circularem por lá camiões de mercadoria e de transporte de passageiros, sendo, por isso, o um ponto de acesso rápido de dinheiro, por meio de transferência utilizando contas móveis das três operadoras de telefonia.
Outro foco de arrecadação é o controle de pequenos grupos de mineração de ouro e pedras preciosas (rubi e turmalina), nos distritos de Meluco, Montepuez e Ancuabe. Existem relatos de que o grupo já arrecadou cerca de 30 milhões apenas com a extração de rubis.
Os dados indicam que a presença do grupo em áreas de mineração está a se tornar mais pronunciada e que sua importância para o grupo está a crescer.
“Essa presença reforçada ocorre em um momento em que o preço do ouro, em particular, disparou. Desde janeiro de 2024, o preço do ouro nos mercados globais subiu mais de 60%” refere o relatório.
Entretanto, para fortificar a sua base logística, “o EIM ainda depende da apreensão de armamento das forças moçambicanas, uma tendência que aumentou significativamente em 2025”.
A capacidade do ISM de gerir armamentos e aumentar o fluxo de caixa sugere que possui sistemas robustos de comando e controlo e de logística. Estes factores ajudam a explicar a sua resiliência e apontam para um possível crescimento. Os sistemas de pagamento móvel são essenciais para a gestão das finanças. Contudo, estes sistemas são vitais para a economia local e as suas restrições poderiam ter um forte impacto socioeconómico, conclui.