Moçambique enfrenta uma das piores épocas de cheias de sempre, com estradas cortadas, distritos isolados e milhares de cidadãos impedidos de circular ou aceder a bens essenciais. Apesar da gravidade da situação, não há pontes metálicas de emergência instaladas nos pontos críticos, uma ausência que está a gerar indignação pública e a levantar sérias questões sobre a gestão dos recursos do Estado.
O país dispõe, pelo menos desde 2016, de pontes metálicas móveis adquiridas para situações de emergência, concebidas exactamente para responder a cenários como o actual. No entanto, no momento em que as cheias atingem níveis históricos e a transitabilidade rodoviária está severamente comprometida, essas infra-estruturas não estão no terreno.
Em várias províncias afectadas, comunidades continuam isoladas por dias ou semanas, dependendo de meios precários para atravessar rios e zonas inundadas. A inexistência de pontes metálicas temporárias em locais estratégicos contrasta com os sucessivos anúncios oficiais de preparação e resposta a desastres naturais.
Questiona-se onde estão as pontes, em que estado se encontram e por que razão não foram mobilizadas atempadamente. A falta de transparência alimenta suspeitas de negligência, má gestão ou mesmo corrupção, num contexto em que o país enfrenta repetidamente calamidades naturais previsíveis durante a época chuvosa.
Enquanto isso, os prejuízos humanos e económicos continuam a aumentar. Agricultores perdem colheitas, comerciantes ficam impedidos de escoar produtos e serviços essenciais, como saúde e educação, tornam-se inacessíveis em várias regiões.
Num momento em que Moçambique mais precisa de respostas rápidas e eficazes, a ausência de pontes metálicas de emergência simboliza um Estado que falha na protecção dos seus cidadãos, reforçando a percepção de que recursos públicos existem, mas não chegam a quem deles precisa, no tempo certo.
Imagem: DR