Sector bancáriomantém-se sólido
O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique avaliou, nesta quarta-feira, os riscos sistémicos, as principais vulnerabilidades e a evolução dos indicadores de inclusão financeira, e concluiu que o sistema financeiro permanece sólido, capitalizado e resiliente.
De acordo com aquele órgão, em Junho de 2026, o rácio de solvabilidade global fixou-se em 28,1 % e o de cobertura de liquidez de curto prazo em 55,2 %, ambos acima dos limites mínimos regulamentares.
O risco sistémico manteve-se moderado. Adicionalmente, o teste de esforço macroprudencial evidenciou que o sector bancário continua com reservas de capital suficientes para absorver eventuais perdas e garantir a manutenção da solidez no médio prazo.
Quanto aos níveis de inclusão financeira, o CPMO refere que os mesmos continuam a aumentar, impulsionados pela digitalização dos serviços financeiros e pela expansão dos serviços das instituições de moeda electrónica.
Prova disto é que entre Dezembro de 2024 e Maio de 2026, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros aumentou em 47,0 %, reflectindo, principalmente, o crescimento de agentes de moeda electrónica em 54,0 %.
Esta evolução foi acompanhada por um aumento de 18,0 % no número de contas de moeda electrónica, evidenciando a crescente utilização dos serviços financeiros digitais pela população adulta. Segundo este órgão, este desempenho decorre, entre outros, do impacto da interoperabilidade entre as instituições de moeda electrónica, bancos, microbancos e demais prestadores de serviços de pagamento, através da SIMOrede.
A instituição destaca que a implementação do sistema de pagamentos instantâneos (METIX) dinamiza as transacções financeiras.
“Com a introdução do METIX, observa-se uma tendência de aumento de uso deste sistema, o que evidencia maior preferência pela realização de transferências interbancárias de forma imediata, cómoda e gratuita, sendo que, desde a sua entrada em produção, em Março de 2026, o número de transferências triplicou para mais de 11 mil por dia”.
O mercado cambial também não ficou à margem, tendo registado maior fluidez, sustentada pela indústria extractiva, com elevados níveis de compras e vendas de divisas.
No primeiro semestre de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em USD 352 milhões, face ao período homólogo de 2025, atingindo USD 4,24 mil milhões.
No mesmo período, as vendas de divisas pelos bancos aos seus clientes aumentaram em USD 356 milhões, para um total de USD 4,16 mil milhões, tendo o sector de combustíveis absorvido 50,0 % das divisas vendidas aos maiores compradores no mercado cambial.

