Subiu para 112 o número de óbitos resultantes de fenómenos atmosféricos registados na presente época chuvosa e ciclónica, em curso desde Outubro de 2025, em Moçambique, segundo uma avaliação feita até segunda-feira (19).
No mesmo período, os fenómenos extremos causaram pelo menos 99 feridos, entre graves e ligeiros, bem como três desaparecidos.
De acordo com um boletim do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as mortes e os ferimentos resultam sobretudo de chuvas intensas, inundações, descargas atmosféricas, ventos fortes, incêndios e surtos de cólera. Segundo o INGD citado pela AIM, a época chuvosa e ciclónica já afectou um total de 645 781 pessoas, correspondentes a 122 863 famílias, em várias regiões do País.
Relativamente aos centros de acomodação, o vice-presidente do INGD, Gabriel Monteiro, referiu que existem actualmente 68 centros activos, que acolhem 91 310 pessoas, enquanto 11 centros já foram encerrados, os quais albergavam 12 639 afectados.
Durante as operações de resgate nos distritos de Magude e Manhiça, na província de Maputo, Monteiro explicou que as chuvas ultrapassaram a capacidade instalada dos centros de acomodação, situação que tem sido parcialmente atenuada pelo apoio de países vizinhos, sobretudo através do envio de helicópteros para acelerar o resgate das populações afectadas. “Não prevíamos que as chuvas seriam assim. Sabíamos que teríamos chuvas normais acima do normal, mas não nesta magnitude”, afirmou.
O responsável apontou como principal causa da intensidade das precipitações a depressão tropical que se abateu sobre a zona sul do País. “Essa depressão trouxe muita chuva, cerca de 200 a 250 milímetros em 24 horas. É muita água”, sublinhou, acrescentando que o impacto foi agravado pela pluviosidade registada nos países vizinhos.
Relativamente às perspectivas para os próximos meses, tendo em conta que a época chuvosa e ciclónica termina em Abril próximo, Gabriel Monteiro manifestou expectativa de um abrandamento das chuvas, de modo a minimizar o impacto sobre pessoas e bens.
“Ainda temos as chuvas de Fevereiro, não podemos pensar em situações mais graves do que o momento actual, porque isso seria uma catástrofe. Habitualmente, registamos ciclones em Fevereiro, mas estaremos preparados, como Governo, para enfrentar qualquer eventualidade”, assegurou.
Em todo o País, as chuvas intensas provocaram a destruição total de 4 883 casas, a destruição parcial de 11 233 habitações, bem como danos em 56 unidades sanitárias e 44 igrejas.
(Foto DR)