CTA apela ao fim do “nhonguismo” no pagamento da dívida aos fornecedores
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) apelou, há dias, às autoridades governamentais e de justiça do País, para redobrar esforços para pôr fim à cobrança de 10% no pagamento de dívidas aos empresários privados que fornecem bens e serviços ao Estado.
Segundo a Carta de Moçambique, o apelo da CTA surge semanas depois da detenção de 11 funcionários do Ministério das Finanças, por suspeitas de cobrança de comissões ilícitas de 10% a empresários e, dias depois de a ministra das Finanças, Carla Louveira garantir, no Parlamento, que o Governo continua a trabalhar para a responsabilização dos funcionários e cidadãos identificados na prática de actos ilícitos relacionados com o pagamento de dívidas aos fornecedores.
“Entendemos que esta resposta do Governo e das autoridades de justiça é bastante satisfatória e nós queremos encorajar para que as autoridades continuem a pôr mais pressão, para que efectivamente a cobrança de 10% possa terminar”, disse o vice-presidente da CTA, Onório Boane, à margem da 12.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique.
Em relação ao pagamento da dívida do Estado aos fornecedores, Onório Boane mostrou-se, entretanto, pouco satisfeito porque o Estado continua a acumular uma dívida elevada e antiga aos empresários, embora não tenha precisado o valor. Todavia, depois de o Governo pagar integralmente a dívida do Fundo Monetário Internacional, o empresário disse que a CTA esperava que o Executivo também pagasse na totalidade a dívida ao sector empresarial privado, o que não aconteceu.
“Queremos que o Governo continue também a pagar o sector empresarial. Ao pagar o sector empresarial, garante-se que a economia seja mais vibrante, que os empresários criem mais empregos. Mais importante ainda, quando se paga dívida ao sector empresarial, garante-se a receita fiscal, porque o sector empresarial moçambicano cumpre os seus deveres fiscais. Enfim, pagar a dívida aos empresários é um dever do Governo, mas também é uma forma de garantir a sustentabilidade da economia”, disse Boane.
De acordo com a ministra das Finanças, até Dezembro de 2024 a dívida aos fornecedores totalizava 31,2 mil milhões de meticais inscritos em despesas por pagar. “Em 2025, o Governo pagou 18,4 mil milhões de meticais, ficando um passivo por pagar de 12,8 mil milhões de meticais, transitado para o ano de 2026 cujo pagamento está a ser feito em função do plano de tesouraria.”
A governante detalhou que, da dívida referida no presente exercício económico, até ao mês de Abril de 2026 foi pago o montante de 11,2 mil milhões de meticais e nos pagamentos efectuados destacam-se as dívidas com fornecedores de bens e serviços e empreitada de obras públicas.
(Foto DR)
The post CTA apela ao fim do “nhonguismo” no pagamento da dívida aos fornecedores appeared first on MZNews.
