Treze pessoas morreram vítimas de violência política entre 8 de Dezembro e 11 de Janeiro, na província de Cabo Delgado, segundo um relatório do Armed Conflict Location & Event Data (ACLED). Pelo menos três vítimas eram civis.
Os dados indicam foram relatados 17 incidentes de violência política, 11 dos quais envolvendo o Estado Islâmico.
O ACLED constatou que, no ano passado, os ataques terroristas reduziram, verificando menor actuação em Dezembro, devido ao pico da época chuvosa, que deixa as estradas intransitáveis tanto para o Estado Islâmico (EI) bem assim para as Forças governamentais.
“Apesar dessa diminuição sazonal, as forças estatais, tanto moçambicanas quanto ruandesas, entraram em confronto com o EIM ao longo da costa e no interior, indicando uma nova seriedade no combate ao grupo” lê-se.
O documento destaca que o EI, no período em análise, manteve-se activo na costa dos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia Palma, além de Nangade e Mueda, “apesar do reforço do patrulhamento marítimo por parte das Forças de Defesa do Ruanda (FDR) e das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM)”.
Por outro lado, o ACLED destaca que a violência no Norte de Moçambique também tem marcas de um pensamento próprio das comunidades, nomeadamente, crenças sobre doenças serem espelhada pelas lideranças, e casos envolvendo garimpeiros, em Nampula.
“Os incidentes ocorridos no distrito de Metuge, em Cabo Delgado, e na província de Nampula, evidenciam a fragilidade das comunidades no norte de Moçambique. Na aldeia de Nanlia, no distrito de Metuge, em 12 de Dezembro, moradores incendiaram casas de autoridades locais, acusando-as de propagar a epidemia de cólera que assolava a aldeia. Na semana seguinte, em 17 de Dezembro, no distrito de Eráti, em Nampula, cidadãos também atacaram casas de autoridades na aldeia de Megoro, ao sul de Alua, novamente sob a suspeita de que estariam disseminando a doença. Esses ataques não são incomuns e foram registados no Norte de Moçambique em 1999, 2001, 2009, 2019 , 2020 e, mais recentemente, em 2023” escreve o ACLED.
No distrito de Mogovolas, em Nampula, a polícia alegou ter matado sete pessoas em um confronto com uma milícia Naparama e membros do partido Anamola por volta de 29 de Dezembro. Essa afirmação foi contestada pela organização da sociedade civil local Kóxukhuro, que afirma que a polícia matou 38 garimpeiros em uma operação contra a mineração artesanal e de pequena escala no distrito, lê-se.