O político Venâncio Mondlane, em uma transmissão em direto (live) nas redes sociais realizada na passada terça-feira, 14 de abril, lançou duras críticas à estratégia de endividamento do Executivo moçambicano.
Durante a sua intervenção, Mondlane defendeu que o foco excessivo na dívida externa tem mascarado um problema muito mais imediato e devastador para a economia local, que é a dívida pública interna, criando um cenário onde o Estado se tornou o principal concorrente das empresas no acesso ao capital.
Mondlane começou por desmistificar a suposta urgência em torno dos pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com a sua análise, os juros aplicados por este organismo são os mais baixos da carteira de Moçambique, situando-se muitas vezes em torno de 1% ou sendo mesmo nulos. O político afirmou que, como o serviço dessa dívida representa menos de 10% do total e é o mais barato que o país possui, não havia uma necessidade premente de priorizar estes pagamentos em detrimento das obrigações internas.
O ponto central do alerta de Mondlane reside no impacto desta gestão no sistema financeiro nacional, sublinhando que, ao emitir Bilhetes e Obrigações do Tesouro de forma intensiva, o Estado terá atingido o limite da capacidade dos bancos comerciais. Este fenómeno, segundo o político, faz com que os bancos fiquem sem liquidez para financiar o sector privado, asfixiando as empresas nacionais que já sofrem com dívidas acumuladas de fornecimento e atrasos no reembolso do IVA.
Mondlane sublinhou ainda que hoje é quase impossível para um jovem empreendedor ou para uma pequena empresa obter crédito bancário em Moçambique. Isto acontece porque o Estado capturou toda a capacidade de endividamento das instituições financeiras, que agora estão a arrebentar pela costura. Esta situação impede o investimento real no país e bloqueia a criação de novos postos de trabalho, deixando a economia real à deriva enquanto os bancos funcionam como braços financeiros do Governo.
O pagamento antecipado da dívida tinha como objetivo viabilizar a contratação de um novo empréstimo de maior dimensão. Na reunião do Conselho de Ministros desta terça-feira, 14 de abril, o Governo afirmou que o processo estava praticamente concluído, estando a um passo da obtenção do novo financiamento.
No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou, ainda esta semana, que Moçambique não reúne, por enquanto, todas as condições necessárias para avançar com o novo empréstimo. A instituição recomenda que o país implemente, primeiro, um conjunto de medidas e reformas previamente acordadas.